Era 1974 quando um grupo de jovens estudantes de música resolveram levar a sério um sonho: tocar em uma orquestra, mas não só. Queriam escolher o maestro e quais shows iriam fazer. Ali nascia Junge Deutsche Philharmonie. Mas, além de união, decisões coletivas e muito estudo, havia uma quarta regra: 29 anos era o limite de idade de seus membros.
Até que, em 1980, músicos que se despediram da orquestra decidiram formar novo conjunto, este voltado para a música contemporânea. Eram os Ensemble Modern of the Junge Deutsche Philharmonie.
Quase 40 anos depois, os (apenas!) Ensemble Modern, contam com 20 membros de dez países diferentes e seguem guiados pelas determinações de outrora. Reconhecidos em todo o mundo, chegam a fazer até 100 apresentações por ano. Três delas acontecerão no 48º Festival de Inverno de Campos do Jordão.
O primeiro espetáculo será realizado neste sábado (8), no auditório Cláudio Santoro. Depois, o grupo segue para São Paulo e se apresenta na segunda (10) e no dia 12, na Sala São Paulo.
"É a primeira vez que iremos ao Brasil e será uma experiência fantástica", afirmou Christian Fausch, diretor do grupo, em entrevista para OVALE. Por aqui, eles ministrarão aulas de instrumentos e farão um seminário de composição que, ao final, selecionará dois bolsistas para escrever peça inédita a ser estreada na edição do ano que vem do festival. "Será uma experiência ótima tanto para os membros do conjunto quanto para os jovens músicos brasileiros".
FUSÃO.
Se por aqui e no dia 10 o grupo trará obras de compositores dos séculos 20 e 21; no dia 12, será a vez do projeto "Re-inventing Smetak", uma homenagem a Walter Smetak (1913-1984), músico, pesquisador e inventor de instrumentos nascido na Suíça, naturalizado brasileiro, infuenciador do movimento Tropicália (1967 e 1968).
No repertório, obras encomendadas a quatro novos compositores que exploram o experimentalismo de Smetak, três deles do Brasil: Arthur Kampela, Daniel Moreira e Paulo Rios Filho, além da australiana Liza Lim. No palco, instrumentos criados pelo músico na Bahia, nas décadas de 1960 e 1970, reconstruídos para esse projeto.
"O ponto de partida do programa foi um encontro entre o grupo, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico e o Instituto Goethe, além de outros parceiros. Smetak, que deixou a Europa na década de 1930, desenvolveu um universo musical. Então pedimos para os compositores interpretar a sua compreensão a musicalidade do autor".
A apresentação em Campos do Jordão custa R$ 120. Em São Paulo, R$ 50..