Margot é uma jovem de 16 anos que desaparece sem deixar vestígios. Desesperado, seu pai, David Kim, pede ajuda das autoridades locais para encontrá-la. Sem sucesso, após 37 horas, o homem decide então invadir o computador de sua filha em busca de pistas que possam levá-lo ao seu paradeiro. Mas, aos poucos, descobre que não conhecia a jovem como imaginava nem sabia o que ela fazia no seu dia a dia.
Essa é a trama de "Buscando...", filme que está em cartaz nos cinemas da região, cujo formato representa um marco na história do cinema.
Produzido pelo diretor estreante Aneesh Chaganty, o longa oferece uma experiência narrativa que se passa inteiramente "dentro" das telas do computador e de um celular. E a aposta - ainda que não seja uma novidade (vide "Amizade Desfeita", de 2015, feita pela mesma produtora do longa atual) - parece soar bastante convincente.
O filme foi o vencedor do prêmio de audiência no Festival de Sundance e seu enredo inicial é triste, mas mostra-se cada vez mais apreensivo ao longo dos minutos. O mistério do desaparecimento se desenrola na frente do telespectador, familiarizado com a linguagem da web.
Mas, quando achamos que estamos a um passo de descobrir onde está Margot, uma nova pista muda os rumos da trama.
Tecnologia.
Defendido por Timur Bekmambetov, diretor russo dono da produtora Bazelevs, responsável por "Buscando...", como gênero "screenlife", nesse formato a história é sempre contada sob o ponto de vista da web e suas plataformas.
Na trama, a própria família de Kim é apresentada por meio do perfil de cada membro, criado no computador, tendo como fundo a clássica imagem do Windows XP (aquelas colinas verdes sob um céu azul).
Mas não se engane, equipe de arte e iluminação bem como todos os outros profissionais responsáveis pelas funções técnicas do cinema estão presentes. Mas o desafio foi não deixar todo esse aparato transparecer.
E, para aproximar ainda mais o público da narrativa, Chaganty escolheu retratar sites e aplicativos conhecidos em vez de usar programas genéricos. Ou seja, estão na telona o YouTube, o Facebook, o Skype e etc.
"O filme é sobre tecnologia. Contamos uma história nela e através dela", disse o diretor em vídeo promocional. "É um thriller clássico contado de uma forma não convencional", continuou ele, que passa longe da demonização da tecnologia e de relacionamentos virtuais. E mostra que nos tempos atuais, não existir digitalmente, é o mesmo que não existir. Por outro lado, o registro de experiências no ambiente on-line pode fornecer uma mina de informações a estranhos. Eis um dilema...
No elenco estão os atores Sara Sohn, John Cho e Debra Messing. .