Começa oficialmente nesta terça-feira o 32ºFestivale (Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba), de São José. O evento deste ano foca seu olhar na cena contemporânea, mantendo a descentralização de outrora, mas com valorização do fazer teatral da cidade.
"Contabilizamos 467 inscrições de grupos de todo o país. Foram 17 selecionados, mais três convidados. E, dos espetáculos selecionados, sete são de São José", afirmou André Ravasco, que dessa vez assina pelo terceiro ano a curadoria do evento. "Foi muito difícil selecionar as peças porque tínhamos trabalhos muito bons", disse.
O intuito dessa vez foi trazer como questão "qual a leitura que está sendo feita do momento atual?" . "Mas o tema não se fecha apenas no teatro contemporâneo, a ideia foi fazer um recorte mais amplo. Então a seleção foi por peças que dialogassem com a linguagem desse teatro, ou defendesse um tema contemporâneo - como a solidão nos grandes centros urbanos - ou que pensem o país como um todo", afirmou Ravasco.
FORMAÇÃO.
Outro ponto de destaque da programação são as ações formativas. Com apoio do departamento de artes cênicas da USP (Universidade de São Paulo), foram acrescentadas à agenda atividades com professores da instituição - Marcelo Soler, Luiz Fernando Ramos e Marcos Bulhões - tais como oficinas e mesa redonda.
Há ainda oficinas focadas em professores do ensino público. "Não acreditamos em formação cultural sem que a parte pedagógica esteja inserida. É fundamental que ambos andem de mãos dadas", comentou Agenor Carvalho, diretor cultural da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), realizadora do evento.
DESTAQUES.
A abertura será com Matheus Nachtergaele, com a peça "Processo de Conscerto do Desejo", no Teatro Municipal às 20h. "Estamos na expectativa primeiro por Nachtergaele, que é um importante ator; e pela peça, que parte da literatura - poemas da década de 1960 - para ser construída", afirmou Ravasco.
O encerramento será "Adeus Palhaços Mortos", da Academia de Palhaços de São Paulo. "Essa peça traz a tônica da nossa cidade, que é caipira, mas também tecnológica, o que provoca uma discussão interessante: tradição e modernidade", continuou.
No total serão 30 apresentações. E, ainda na programação, há intervenções urbanas e artísticas. A coordenação ficou a cargo do Wangy Alves.
O investimento total da FCCR, segundo Aldo Zonzini, presidente da instituição, foi em torno de R$ 190 mil. "Foi um orçamento enxuto, mas conseguimos realizar um festival com consistência e diversidade", disse.
Acompanhe no site de OVALE (www.ovale.com.br) as críticas às peças apresentadas ao longo do evento..