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o que dizem os números

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Política é como uma nuvem, dizia Magalhães Pinto (1909-1996), cunhando uma frase utilizada até hoje para analisar os cenários eleitorais. "Você olha e ela [nuvem, ou política] está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou de lugar", concluía o pensamento do político, cunhando sua sentença lapidar. Se a política é parecida com uma nuvem, pode-se dizer que o eleitor vive debaixo de um céu nublado, diante de uma campanha presidencial absolutamente indefinida e que, com certeza, frustra as expectativas do eleitorado brasileiro, que aguardava ansioso por mudanças políticas após a grave crise política vivida pelo Brasil. Os novos dados divulgados pela pesquisa Datafolha, na noite desta sexta-feira, mostram o candidato Jair Bolsonaro (PSL) na frente, com 26%. Em seguida estão Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), ambos com 13%, Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%, Marina Silva (Rede), com 8%, João Amoedo (Novo), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos), todos com 3%; já os demais candidatos não passam de 1%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Vítima de um grave atentado, o candidato do PSL mantém-se de forma folgada na liderança, com a vaga praticamente assegurada no segundo turno. Ele tem o seu eleitorado cristalizado, consolidado e agora, sem poder fazer a campanha nas ruas normalmente, precisa superar seu mais duro obstáculo, a alta taxa de rejeição (44%) e a dificuldade de conquistar novas fatias do eleitorado brasileiro -- principalmente entre as mulheres. Isso porque, como as pesquisas mostram, Bolsonaro teria dificuldades no eventual segundo turno -- hoje, perderia a disputa para Ciro (45% a 38%) e teria empate técnico com outros três concorrentes: Alckmin (41% para o tucano e 37% para o candidato do PSL); Haddad (41% de Bolsonaro e 40% para o petista); e Marina (43% a 39%, com vantagem da candidata da Rede).

Ciro manteve o patamar anterior, alcançado agora por Haddad -- que teve um rápido crescimento depois de ter o seu nome oficialmente lançado pelo PT. Já Alckmin, apesar de tecnicamente empatado, amarga um resultado ruim e, apesar de ter o maior tempo de televisão, não decola.

Curiosamente, sua única esperança agora seria a subida gradativa de Haddad fomentar o voto útil contra o PT. O tucano, por isso, já diz agora que votar em Bolsonaro é um passaporte para a volta petista ao poder, por conta da dificuldade do candidato do PSL vencer o segundo turno.

Com o derretimento da candidatura Marina, a disputa deve ficar entre esses quatro nomes.

O cenário está indefinido.

Mas é fato. Se olhar para o céu, o eleitor brasileira verá nuvens e mais nuvens bem carregadas..

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