Abelim Maria da Cunha trabalhava em uma fábrica de lâmpadas. Tinha 21 anos, e enquanto fazia seu serviço gostava de cantarolar. A turma, em vez de trabalhar, parava para ouvi-la. Foi, claro, demitida.
Decidiu então que era hora de buscar emprego no ramo musical. Saiu de casa, bateu na porta de uma boate no Rio de Janeiro. As dançarinas presentes, em vez de dar o costumeiro expediente, paravam para aplaudi-la. E, mais uma vez ela foi demitida.
A oportunidade de finalmente tornar-se cantora profissional surgiu com a RCA Victor. Descoberta, Abelim estourou na rádio Mayrink Veiga. Era 1950, e não havia quem ignorasse a sua doce voz da já nomeada Angela Maria.
Não se sabia quem era mais popular: Dalva de Oliveira, Emilinha Borba ou Marlene. Mas foi ela a coroada como Rainha do Rádio.
Ganhou de Getúlio Vargas o apelido de Sapoti. Foi, aliás, "Madrinha do Flamengo", "Rainha dos Músicos", "Rainha do Disco"... E, daquela época até o sábado (29) foram mais de 100 discos lançados. O último no ano passado, com canções de Roberto e Erasmo Carlos.
Angela Maria partiu. Foi vítima de uma parada cardíaca ocorrida em decorrência de um quadro de infecção. Ela tinha 89 anos e estava internada há 34 dias no hospital Sancta Maggiore, em São Paulo.
"É com meu coração partido que eu comunico a vocês que a minha Abelim Maria da Cunha, a nossa Angela Maria, partiu, foi morar com Jesus", disse Daniel D'Angelo, viúvo da cantora em publicação no Facebook.
Homenagens.
"Brilhe nos palcos do céu, minha querida", escreveu Elza Soares no Twitter. Assim como a cantora, outras personalidades se manifestaram.
"Foi minha grande referência. Perdemos a maior cantora do Brasil de todos os tempos. Obrigada, Angela, por você ter existido", disse Alcione. "Obrigada", agradeceu também Fafá de Belém.
"O adeus em vida não apagará toda a voz incomparável e a luz da eterna rainha, não só do rádio, mas sempre da nossa música", homenageou Elba Ramalho.
minissérie.
Aliás, se não tivesse saído de cena no último sábado (29), Angela Maria festejaria seus 90 anos de idade em maio de 2019. A ocasião será, sim, comemorada. Aliás, em grande estilo: a Globo lançará uma minissérie sobre a vida da cantora.
O projeto, em andamento, tem como foco os primeiros 50 anos de vida de Angela. "Estive com ela há um mês mais ou menos porque estamos preparando uma minissérie sobre a vida dela. Tive um encontro com ela e com Daniel para acertar as bases e, também, para que ela contasse coisas além daquelas que já foram publicadas. Essa minissérie vai ser um grande trabalho e vai ser uma homenagem à altura do que Ângela Maria merece", afirmou Silvio de Abreu, à "Folha de S. Paulo".
Escrita por Felipe Miguez, a minissérie deverá ter oito capítulos. As escalações do elenco devem começar apenas no início do próximo ano, mas já um nome cotado para viver a protagonista: Claudia Abreu.
Despedida.
O corpo da cantora foi velado no cemitério de Congonhas, em São Paulo. Angela foi enterrada sob aplausos e cantos na tarde do domingo (30), também na capital paulista..