Viver

INDEFINIÇÃO AFETA VIDA DAS CRIANÇAS

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 2 min
Comportamento
Comportamento

Volta ou não volta? Desde março, por conta da pandemia do novo coronavírus, as escolas foram fechadas. Os alunos passaram a estudar em casa, pela internet. Agora, com a flexibilização da quarentena, mesmo com o número de contágio ainda alto, existe a possibilidade de retorno presencial. Algumas escolas já voltaram parcialmente. Outras, ainda não. Algumas estão consultando o pais sobre a decisão de voltar ou não. Para especialistas, a indefinição afeta o aprendizado e o emocional.

A psicopedagoga e neuropsicopedagoga clínica Lucila França Silva, de São José dos Campos, ressalta que, quando se fala de aprendizagem, se fala de experiência e interação. "A suspensão das aulas presenciais modificou de forma categórica a experiência e interação necessárias à aprendizagem. Isso gera um impacto, pois interfere no recrutamento de habilidades essenciais como atenção, organização e planejamento além da motivação/desmotivação", disse ao OVALE.

Segundo ela, haverá um déficit na aprendizagem de conteúdos e será preciso pensar em um planejamento estratégico de ensino, pós-pandemia.

Para Lucila, esse 'volta não volta' às aulas interfere na aprendizagem.

"Gera expectativas frustradas que reduzem a motivação necessária ao ato de aprender".

Neste momento, a presença dos pais é essencial para o aprendizado. "Eles podem auxiliar no processo funcionando como reguladores das demandas externas (barulhos, organização, planejamento) e internas (expectativas, emoções)".

Ela ressalta ainda que pai e mãe não são professores dos filhos. "Pais podem, sim, ser mediadores nesta situação de aprendizagem. Auxiliar a criança no planejamento das atividades é elemento tranquilizador e organizador", ressalta Lucila, que completa.

"Neste momento de pandemia os extremos são perigosos, nem o 'tudo', nem o 'nada', o importante é perceber o que é possível para sua criança e para você".

EMOCIONAL.

Para a psicóloga Andréa Leão, de São José, as crianças não foram preparadas para esta mudança brusca. "Elas estavam acostumadas a irem à escola, ter aulas com os amigos, com os professores, o ambiente que era delas. Viam, se relacionavam, porque a criança não se relaciona só com as pessoas, mas com o ambiente em si".

Segundo ela, essa transição causou impactos nas crianças. Dentre eles, estão o horário de acordar, de dormir, a forma de fazer tarefa, de aprender. "Sobre esse volta não volta, desde o início da pandemia, foi comunicado e também para nós adultos que seria transitório, passageiro. Só que não aconteceu", ressalta.

Segundo ela, a presença dos pais pode ser um fator psicológico importante. "Quando você perceber que seu filho não está querendo assistir tarefa, está irritado, fugindo, desligando câmera, sempre converse. Pergunte como ele está, pois dá a possibilidade dela externar os sentimentos"..

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