Ele virou o centro das atenções nas últimas semanas. De certa forma, o governo do presidente Jair Bolsonaro deixou o humorista Marcelo Adnet ainda mais conhecido e relevante.
O artista, que tinha o programa 'Sinta-se em casa', na Globoplay, da TV Globo, vem usando o talento do humor para falar sério e levar ao público reflexões sobre o momento político vivido no país.
A crise econômica e política, a pandemia do novo coronavírus e os escândalos de corrupção envolvendo a família Bolsonaro, têm sido retratados pelo humorista. Por isso, Adnet vem sendo também atacado pelo governo e até mesmo por outros colegas de profissão.
O caso mais recente e de maior repercussão envolveu o secretário especial de Cultura de Bolsonaro, o ex-ator global Mario Frias.
Declaradamente conservador, gravou um vídeo sobre que homenageia heróis brasileiros, em tom utópico, e foi alvo de paródia do humorista na imitação do quadro Arquivo Confidencial, do programa Domingão do Faustão, onde o presidente Bolsonaro era o convidado e Frias era um dos que aparecia no 'depoimento'.
Frias reagiu nas redes sociais e pegou pesado com o humorista, citando até uma relação extraconjugal do artista.
"Garoto frouxo e sem futuro. Agindo como se fosse um ser do bem, quando na verdade não passa de uma criatura imunda, cujo o adjetivo que devidamente o qualifica não é outro senão o de crápula. Um Judas que não respeitou nem a própria esposa traindo a pobre coitada em público por pura vaidade e falta de caráter", escreveu Frias, que continuou.
"Um palhaço decadente que se vende por qualquer tostão, trocando uma amizade verdadeira, um amor ou sua história por um saquinho de dinheiro e uma bajulada no seu ego infantil e incapaz de encarar a vida e suas responsabilidades morais", disse.
RODA VIDA.
Até mesmo o também humorista Marcelo Tas chegou a criticar Adnet, quando este era entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura.
"O que eu acho muito perigoso nessa polarização é a gente entrar nessa cilada. E quando você fala que é humorista de esquerda, você nunca reparou que em Cuba não existe humorista? Que na china não existe humorista? Eu acho muito perigoso a gente, como pessoas que trabalha com humor, tomar partido especialmente quando o humor é censurado, como no caso de Cuba", disse Tas a Adnet, que respondeu.
"Então humorista tem que ser de direita? Humorista não pode ter opinião política? Sou uma pessoa, acima de qualquer coisa. Eu tenho opinião. Ser de esquerda não tem nada a ver com China, Coreia do Norte. Isso é comunismo", disse Adnet no programa.
A colocação de Tas acabou repercutindo negativamente por muitas pessoas através das redes sociais.
APOIO.
Apesar disso, Marcelo Adnet vem recebendo apoio de diversos colegas humoristas, principalmente após a paródia com Mario Frias no 'Sinta-se em casa'. Um deles é Fábio Rabin, conhecido pelos shows de stand-up comedy.
"Parabéns Marcelo Adnet! Isso aqui é pra enquadrar. Era em Cuba que não podia fazer humor?", escreveu Rabin em sua conta pessoal no Twitter..