‘É que comigo ninguém tem paciência’. ‘Isso me escapuliu’. ‘Foi sem querer, querendo’. ‘Pois é, pois é, pois é’. ‘Cale-se, cale-se cale-se, você me deixa louco’. ‘Sigam-me os bons’. ‘Não contavam com a minha astúcia’. Essas são algumas das frases marcantes dos seriados Chaves e Chapolin. No final de julho, Chaves, que ainda passava no SBT, foi exibido pela última vez. Após 36 anos de exibição ininterrupta na emissora de Sílvio Santos, o programa que divertiu e alimentou o imaginário de milhões de crianças no país inteiro, agora faz parte do passado. Ao menos, por enquanto. É um impacto gigantesco, afinal, trata-se de um ícone da televisão e que já faz parte da ‘cultura pop’ do Brasil desde 1984. A falta de acordo entre a Televisa, emissora mexicana dona dos direitos do episódio, e o Grupo Chespirito, comandada pelo filho de Roberto Bolaños (intérprete de Chaves, falecido em 2015), fez com que os episódios do seriado, assim como os do Chapolin, fossem suspensos.
Os programas também deixaram de ser exibidos no canal fechado Multishow e na plataforma Amazon. Agora, quem quiser existir, terá que recorrer aos episódios postados em plataformas de vídeos como o YouTube. O fim do acordo repercutiu até mesmo no México, onde a atriz Florinda Meza, intérprete da Dona Florinda e viúva de Roberto Bolaõns, se manifestou. “Talvez alguns executivos sem visão querem apagá-lo, mas no coração e na memória dos bons, que sempre o seguiram, estará mais vivo que nunca. Não é verdade?”, disse, nas redes sociais.
Por aqui, a repercussão também foi grande. Alguns grupos de fãs clube organizaram até abaixo-assinado para que o programa retorne à grade de programação do SBT – que já tinham mais de 38 mil adesões. “Uma história de enorme sucesso interrompida por uma disputa de bastidores, em que o maior prejudicado é o fã, limitado de poder acompanhar suas séries preferidas. Essa notícia vem justamente no ano em que o Chapolin completa seus 50 anos. Em 2022, será a vez do Chaves alcançar seu cinquentenário”, diz o texto do abaixo-assinado que está na internet.
DUBLADOR.
A OVALE, após contato por email, o dublador Nelson Machado, 66 anos, que deu voz ao personagem Quico no Brasil, interpretado pelo ator Carlos Villagrán, disse que não dá para fazer uma previsão sobre uma possibilidade de retorno do programa. “São problemas entre família Bolaños e Televisa. E eu não sei mais muita coisa além dessa informação que está na imprensa. Nem tenho como fazer ‘previsões’ quanto ao desenrolar dessa história. Até porque não tenho grandes ligações com esse universo além do fato de ter participado da dublagem há 36 anos”, disse.
Porém, acredita que o seriado Chaves e Chapolin sempre estará na lembrança de todos. “Acredito que será o mesmo que aconteceu com Laurel e Hardy, Charles Chaplin, Três Patetas, Monty Phyton, Jerry Lewis, Oscarito, Mazzaropi, Trapalhões. Ficará na lembrança dos que cresceram como fãs e a internet ficará abarrotada com episódios para que os saudosistas assistam”, conclui.
Aqui na região, quem trabalha com humor também lamentou bastante após saber da notícia. “Quando paro para pensar, eu não me lembro da minha vida sem o Chaves ou sem o Chapolin. Eu comparo como um café da manhã que é tão rotineiro, que as vezes você toma e nem percebe sua relevância e importância, mas tem dias que você para, sente, relembra, e degusta novamente como se fosse a primeira vez dando o seu devido Valor. Quando eu vi a notícia senti isso, como se estivessem tirando algo de mim. Eu sei que têm todos os episódios no YouTube, mas ser surpreendido no fim de tarde por um episódio enquanto zapeia na Tv é muito mais gostoso”, disse o ator Junior Guimarães, de Taubaté, famoso pelos episódios do ‘Tapa Olho Experimental’ nas redes sociais.
Assim como o dublador de Quico, Junior acredita que o seriado será sempre lembrado. “Chaves é único com seus personagens e suas características. Vejo que, assim como é respeitada e lembrada a obra de Charles Chaplin, a turma do Chaves também irá permanecer na história da comédia e em nossas memórias”, afirmou a OVALE.