Cumprindo isolamento social com a esposa Maria em Lorena desde março, depois de vários meses em Barcelona, sede do escritório espanhol de sua empresa "B2 International Consulting", Marcio Barbosa resolveu quebrar o silêncio e falou com exclusividade à coluna sobre as atuais polêmicas em torno do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), no qual trabalhou por 28 anos, 12 deles como diretor. Dirigiu o Inpe em Cachoeira Paulista já em 1994 no início do Ceptec (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) e coordenou o lançamento do primeiro satélite brasileiro, o SCD-1, totalmente construído nos laboratórios do instituto.
E um outro resultado importante para o desenvolvimento do país enquanto dirigiu o Inpe foi o monitoramento da Amazônia a partir de 1989. Durante nossa conversa, três comentários importantes sobre o noticiário atual merecem destaque.
"O atual governo desacredita os dados do Inpe, pois não quer que seja revelada ao país e ao mundo a real situação dos desmatamentos e queimadas ilegais, principalmente na Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica, provocados pela falta de fiscalização e políticas atuais que não favorecem a conservação do meio ambiente". E acrescentou: "É um absurdo a compra de um novo satélite para fazer o trabalho de monitoramento feito regularmente desde 1989, e que utiliza vários satélites compatíveis com essa tarefa, e reconhecido internacionalmente como o melhor serviço do mundo".
Sobre um possível fechamento do Inpe em Cachoeira Paulista, foi enfático. "Isso só pode ser um boato. Os seus supercomputadores são fundamentais nos modelos matemáticos do Cptec, e que são adquiridos periodicamente no exterior. Dificilmente teriam as suas licenças de exportação aprovadas pelos fornecedores se fossem instalados, por exemplo, em São José dos Campos, onde encontram-se instituições militares e empresas de alta tecnologia e que, no passado recente, foi também o berço da indústria bélica do país. Quem detém essa tecnologia (EUA e Japão) preocupa-se com o possível uso dela para fins militares", finalizou Barbosa.
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