Tarde de sábado do dia 5 de setembro de 2020. Jogadores do Figueirense em mais um dia comum de treinamentos, visando a sequência de jogos pela Série B do Campeonato Brasileiro. A equipe vinha de uma derrota no estádio Orlando Scarpelli no dia anterior, por 1 a 0, para o líder Paraná Clube Porém, o mesmo palco da partida do dia anterior quase presenciou uma grande tragédia no sábado. Ainda assim, alguns atletas sofreram lesões leves.
Cerca de 40 torcedores, ligados a torcidas organizadas do clube catarinense, arrombaram o portão do estádio e invadiram o treino, agredindo jogadores, membros da comissão técnica, ainda, atirando rojões na direção dos integrantes do clube. Foram minutos de terror, enquanto 34 atletas faziam um trabalho regenerativo. A invasão teve um impacto imediato: o atacante Pedro Lucas, por exemplo, pediu dispensa e voltou ao Internacional, clube com o qual tem contrato - estava emprestado ao time catarinense.
A Polícia Civil está investigando o caso e o MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina) se comprometeu a acompanhar de perto. Após o episódio, até a nutricionista do clube gravou um vídeo, chorando, em tom de desabafo, pelo clima de terror sofrido. "Quem trabalha no futebol não é vagabundo, trabalha sábado, domingo, feriado. Trabalha para conquistar resultados, mas nem sempre conseguimos. Quem trabalha com futebol tem pai, tem mãe, tem filho e trabalha, e merecemos respeito", disse Cíntia Carvalho, em vídeo gravado nas redes sociais.
A FCF (Federação Catarinense de Futebol) e a Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina enviaram nota de repúdio à ação. Porém, o episódio do Figueirense não é um fato isolado no futebol brasileiro. As agressões a jogadores são cada vez mais comuns.
Um dia antes, inclusive, a sede do Cruzeiro, que também disputa a Série B, foi atingida por rojões durante uma live semanal do presidente do clube, Sérgio Santos Rodrigues. Ninguém se machucou.
Ao longo de todos os casos de violência contra atletas, não houve nenhuma grande mobilização por parte dos jogadores das outras equipes, em solidariedade aos colegas. No máximo, eles cruzaram os braços no início de algumas partidas do Brasileirão, esta semana, após o apito inicial.