A maioria dos entrevistados pela pesquisa Ibope encomendada pelo GLOBO para medir a reação dos brasileiros ao surto de Covid-19 acredita que a ciência será mais valorizada após a pandemia: 58% concordam com a afirmação.
Ligia Bahia, especialista em saúde pública da UFRJ e colunista do jornal, aponta um consenso: não há grandes variações considerando recortes por sexo, idade, renda ou posição política.
Ela observa que, mesmo em um país polarizado como o Brasil, ao menos neste assunto há pouca diferença de opinião comparando-se os espectros políticos. Os que creem na valorização da ciência são 66% entre os que se dizem de esquerda, 64% dos entrevistados de centro e 57% entre quem se declara de direita.
"O que chama a atenção é a forte coerência interna dos dados. A maioria apoia a ciência e isso não está influenciado por grupo social ou etário", afirma Ligia. "O governo e suas políticas para educação, tecnologia e inovação está de costas para essa maioria".
O projeto de lei orçamentária enviado pelo governo ao Congresso prevê um corte de 31,7% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações).
A verba proposta para a pasta em 2021 é de R$ 8 bilhões, contra R$ 11,8 bilhões prevista para este ano, quando houve dificuldade para o pagamento de bolsas. Na avaliação da professora da UFRJ, o Brasil está "queimando pontes".