Por que genros e noras têm problemas com as sogras e também com os sogros?
É um mito, exagero, ou é uma verdade? O fato é que, em muitas famílias pelo mundo afora, o relacionamento nem sempre é tão amistoso. Porém, é necessário ter respeito e compreensão dos dois lados.
Para a psicóloga Simone Januário, de São José dos Campos, "alcançar total atenção, amor e devoção do objeto de amor é a meta do apaixonado".
"Nesse cenário, genros e noras podem acabar encarando as sogras e sogros como rivais. Por outro lado, pais com dificuldade de admitir a autonomia e o crescimento dos filhos ou filhas, podem alimentar situações difíceis para todos", diz.
Simone ressalta também que é sempre interessante pensar que muitos de nós desejam 'constituir família' e não se preparam para os desdobramentos da vida em família.
Para ela, o olhar psicanalítico nos mostra que, desde bebês, há um objeto que se julga seu.
"A medida que o bebê se desenvolve, vai se relacionando com outras pessoas, até que percebe a presença de um outro, um terceiro com quem estabelece uma relação conflitante", complementa.
Para Simone, seguir as regras de educação simples, pode ajudar. "Evitar falar mal da nora ou sogra, genro ou sogro. Tratar bem, respeitando o lugar que aquela pessoa ocupa na vida de quem você ama. Gentileza pode gerar gentileza".
Mas, para a especialista, o relacionamento pode extrair muitas coisas boas entre os dois lados.
"Somos seres de relação, em que o novo e o velho tem muito a ganhar um com o outro. Uma dica para se atualizar, uma receita de família, o cuidado mútuo são ganhos que todos podem ter", afirmou Simone.
"A postura respeitosa e ao mesmo tempo disponível a acolher podem ser fundamentais para a construção de uma amizade dentro da família", completa a psicóloga.
EMPATIA.
A psicóloga Andréa Leão, de São José dos Campos, ressalta que para contornar os problemas é importante a empatia, "que é se colocar no lugar do outro". "Qual a dificuldade dessa sogra para me incluir como também uma parte da família, de alguém que está que que veio para compor essa família? É medo de perder o filho ou a filha, é ciúme porque até então ela era a pessoa que provia atenção, cuidados, conselhos e orientações? É pelo lugar que ela passa a ocupar?", exemplifica a especialista.
Andréa ainda ressalta que, no imaginário da sogra (ou do sogro) existe a preocupação de estar se "tornando desnecessária". "Se eu me coloco no lugar do outro, entendo e desarmo. Isso já melhora bastante o relacionamento. Então é importante a gente ter empatia, aceitação, buscar diálogos", disse a psicóloga.
A psicóloga da região ainda ressalta que genros e noras têm problemas de relacionamento com as sogras por vários fatores, dentre os quais: ciúmes da relação entre mãe-filha (o) por parte do genro/nora; sentimento de perda do filho/filha para o novo ente familiar; disputa pela atenção e amor.
"A postura deve ser uma postura de respeito, independentemente se eu concordo ou não com a maternagem que foi feita, se eu acho que não foi a mãe ideal, ela foi a mãe que ela conseguiu ser e ela é a mãe ainda, da minha esposa ou do meu marido. E além dessa postura de respeito, evitar o confronto quando possível", ressalta.
Segundo a especialista, é importante lembrar que toda sogra é a mãe que cuidou, que possibilitou que eu estivesse com a pessoa que eu amo, que eu escolhi. "Então, isso é um ponto fundamental. Ter interesse por ela e pelas histórias dela. Validar, elogiar. Isso faz com que o relacionamento melhore", finaliza..