Oano é 1798.
O médico e cientista inglês Edward Jenner ouve relatos de que trabalhadores da zona rural seriam imunes à varíola porque já haviam sido infectados pela varíola bovina, de menos impacto no organismo humano, anteriormente. Então, fazendo o uso da ciência, Jenner introduziu dois vírus da varíola bovina no corpo de um garoto de 8 anos, identificando a veracidade daqueles rumores.
O ano é 1881.
O cientista francês Louis Pasteur começa a desenvolver a segunda família de vacinas, com intuito de combater a cólera aviária e outras doenças, fazendo uso da ciência. Ele decide batizar a vacina com uma homenagem a Jenner, com a palavra fazendo referência ao nome científico da varíola bovina: Variolae vaccinae.
O ano é 1904.
O médico e sanitarista Oswaldo Cruz, nascido no Vale do Paraíba, inicia uma cruzada contra doenças que assolavam o Rio de Janeiro, à época capital do Brasil. Sem saneamento básico e com lixo nas ruas, a cidade sofria com epidemias, como a varíola, a peste bubônica e a febre amarela.
Para modernizar o Rio, que ainda preservava características da era colonial e do Império, o presidente Rodrigues Alves, também nascido no Vale, iniciou uma série de reformas urbanas e sanitárias.
Além da remoção do lixo e da tentativa de matar os mosquitos transmissores, no caso da febre amarela, o cientista pretendia atacar a varíola. Como? Por meio da chamada Lei da Vacina Obrigatória.
Descontentes, grupos foram às ruas protestar contra a vacinação, promovendo um tumulto de grandes proporções que ficou conhecido 'A Revolta da Vacina', ocorrido entre 10 e 16 de novembro daquele ano, com 30 mortes. No dia 16, o governo decretou o estado de sítio e suspendeu a vacinação obrigatória.
O ano é 1908.
Uma nova epidemia de varíola mata 6.400 pessoas no Rio.
Apesar da revolta quatro anos antes, a luta de Oswaldo Cruz dá resultado. A própria população procurou os postos de vacinação em 1908.
O ano é 2020.
O mundo é alvo da pandemia do novo coronavírus, que deixou um saldo de mais de 2,1 milhão de mortos, com o total de 101 milhões de infectados. Desses, o Brasil responde por mais de 220 mil vidas perdidas e 9 milhões de casos.
O ano é 2021.
Depois de se dizer contra o isolamento social e incentivar a utilização de remédios que não têm comprovação científica, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido ou respeito à vida e à ciência) mantém-se como inimigo da vacina e aliado número 1 da "gripezinha".
Incentivador do caos, tendo como objetivo seu projeto de poder, estando de olho em 2022, ele ameaçou não comprar a vacina do Instituto Butantan, prejudica o país com a sua diplomacia tosca e coloca milhares de vidas em risco por sua ineptidão.
Como se observa claramente desde o começo da pandemia, a saúde de milhões de brasileiros parece ser algo menor para esse presidente negacionista, inimigo da ciência e amigo da ignorância, da morte, um terraplanista sanitário, protagonista de um genocídio fratricida que, inapelavelmente, será julgado, com rigor, pela história.
Espera-se que, apesar de Bolsonaro, o Brasil vença a guerra contra a pandemia, utilizando a ciência como arma. Que a luz da esperança vença as trevas da letal ignorância. Que o país vacine-se contra a Covid-19 e contra políticos populistas e autoritários. Vacina já para todos. Em 2021 e em 2022.n