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CASO MELHEM ABRE DEBATE SOBRE ASSÉDIO SEXUAL

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 2 min
Comportamento
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O humorista Marcius Melhem foi demitido pela Globo em agosto, depois de uma série de denúncias de assédio sexual feitas por diversas atrizes da emissora. Porém, o caso do artista não é um fato isolado. E isso ocorre em muitas empresas. Andreza Silva, especialista em carreira e processos empresariais, ressalta que a empresa precisa elaborar e divulgar sua política contra o assédio de qualquer natureza.

"Além disso, é imprescindível disponibilizar um canal de denúncia seguro e imparcial para receber esse tipo de comunicado e garantir que todas as ações previstas na política contra assédio se cumpram, penalizando o assediador e protegendo a vítima", disse.

De acordo com Andreza, o maior desafio é cultural.

"As pessoas tendem a não denunciar, pois ou não é com elas ou se sentem constrangidas quando acontece. É comum alguém fazer questionamento do tipo: 'mas também, com essa postura', 'Mas será que ela não deu brecha' ou 'Às vezes, ela entendeu errado'".

A especialista também lembra que é muito complicado denunciar quando a vítima pode ser acusada de permitir ou facilitar o assédio.

Andreza ressalta ainda que a vítima de assédio não pode ser penalizada por ter sofrido uma violação desse tipo. "Uma vez que o assédio é crime previsto pelo Código Penal, com pena de detenção, e contemplado na Legislação Trabalhista, após investigação e constatação do assédio, se faz necessário desligar a pessoa que cometeu o crime e, além das ações internas, dar suporte a vítima para registrar o ocorrido. A empresa precisa se posicionar, pois em casos de omissão poderá responder judicialmente, devendo ressarcir a vítima pelo constrangimento e violência sofridos", explica.

VIOLÊNCIA.

Thaís Ribeiro, psicóloga e pós-graduada em Recursos Humanos, ressalta que o assédio sexual no trabalho se manifesta como uma violência psicológica.

Isso pode ser entendido a partir de relações de força e poder, não necessariamente em níveis de hierarquia; por desigualdade de gênero; por orientação sexual, classes sociais, etc.

"Importante ressaltar que não acontece apenas entre pessoas de níveis hierárquicos diferentes dentro da organização, mas também entre colegas de função, por parte de clientes, e pode ocorrer tanto da parte dos homens quanto das mulheres, embora em menor número", disse.

De acordo com a psicóloga, o assédio no trabalho pode se dar de duas formas: por chantagem, quando quem o pratica deseja obter algum benefício sexual e em troca oferece vantagens; e por intimidação, quando se tem por fim transformar o ambiente de trabalho desfavorável para a pessoa ou grupo que é assediado.

"Nessa segunda situação, o assediador cria situações incabíveis, como impedir a pessoa de realizar o seu trabalho e até mesmo proporcionar ocasiões ofensivas", disse.

"De maneira geral, acontece quando a pessoa não tolera ser rejeitada e insiste e pressiona para obter o que deseja".

Segundo a psicóloga, essas ações podem ocorrer por meio de contato físico ou não, por expressões verbais ou escritas e até mesmo com gestos e imagens, com conotação sexual..

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