A partir desta sexta-feira, o valor do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para lojas de veículos usados no estado de São Paulo vai passar para 5,5% sobre a venda. Até quinta, era de 1,8%. A partir de abril, cai para 3,9%. A mudança causa impacto direto na margem de lucro dos lojistas, que temem o fechamento e até demissão de funcionários.
Na RMVale, donos de revendedoras de veículos estão preocupados e já temem o impacto da decisão. Em São José dos Campos, o empresário Adilson Castilho prevê prejuízos. “Toda alta de imposto é prejudicial, seja federal, estadual ou municipal. É extratosférico”, disse ele, que é proprietário da Dill Car, na Avenida Andrômeda.
Segundo ele, o momento atual é pior ainda para este aumento de impostos. “Sem contar que essa alta vem em desencontro à situação atual do país, com essa pandemia, essa queda nas vendas, vide o que aconteceu com a Ford. Então, ao meu ver é falta de sensibilidade das autoridades. Eles usam de um objeto que, na visão deles é supérfluo, para a gente pagar essa conta”, afirmou ao OVALE. “Nunca a gente está preparado para isso, pois estamos vendendo o almoço para comprar a janta todo dia”, ressalta.
O empresário, porém, descarta aumento no preço dos veículos por conta disso. “No valor dos carros acho difícil, pois não é balizado pelo imposto que se paga, mas pelo mercado de compra e venda. Quando tem uma queda nas vendas, esses aumentos de impostos impactam no nosso bolso, no lucro mensal, que é diminuído e acaba refletindo nos funcionários, que são demitidos. Se o juro aumenta, aluguel aumenta, IPTU aumente, temos que cortar as despesas. E geralmente acaba sobrando para o funcionário, infelizmente”, reforça.
Marcos Favali, proprietário da Mundial Autos, em Pindamonhangaba, não esconde a insatisfação. Segundo ele, vários lojistas na cidade vêm se reunindo para buscar uma solução ao problema. “Já tivemos duas reuniões de lojistas aqui de Pinda justamente sobre o ICMS. Está revoltante isso, mexeu demais na margem de lucro das lojas. Foi um absurdo, subiu muito”, disse.
Ele também lembra que existe a concorrência com os vendedores particulares, que comercializam os veículos sem pagar impostos.
O grupo de lojistas de Pinda ressalta que, na prática, ficará com 60% do lucro, enquanto o governo ficará com 40%. “E estamos incumbidos de mantermos o custo operacional de nossas lojas, arcarmos com as despesas de venda e revisões dos veículos e ainda por cima arcarmos sozinhos com as garantias que certamente vão ocorrer”, disse Celso Trentin de Moraes, da Golden Car.
Segundo o governo de São Paulo, a medida é necessária para reequilibrar o orçamento devido às perdas de arrecadação com a pandemia do novo coronavírus. “O objetivo do ajuste fiscal é proporcionar ao Estado recursos para fazer frente às perdas causadas pela pandemia”, diz nota divulgada pelo governo estadual enviado à Agência Brasil.