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CIÚME: SENTIMENTO QUE COMPROMETE A RELAÇÃO

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 3 min

Insegurança, medo de perder o parceiro ou a parceira e sentimento de posse em relação à outra pessoa. Essas são algumas características do conhecido ciúme, que gera tantos desentendimentos e brigas entre milhões de casais, muitas vezes terminando em rompimento.

A psicóloga Simone Januário, de São José dos Campos, lembra que o ciúme é um sentimento que pode ser experimentado desde que a o bebê ou criança percebe a presença de uma terceira pessoa que para ela pode ser ameaçadora ao relacionamento, pode levar o amor que o outro tem e deveria ser exclusivamente dela.

Segundo ela, a falta de segurança é o principal causador do sentimento de ciúme. "Na medida que as pessoas se desenvolvem e amadurecem aprendem a lidar melhor com esse sentimento e a fazer diferença entre o que é realmente ameaçador a relação ou aquilo que é uma fantasia. Em outras palavras, quanto mais insegurança, maior a possibilidade de sentir ciúme", disse.

Simone lembra que o "ciúme romântico" já foi visto como um elogio e até um sinal de amor. Atualmente, com a ideia de aprender a reconhecer e lidar melhor com as próprias emoções e com a dos outros, o ciúme excessivo pode ser visto como prejudicial ao ciumento e seus pares".

Quando o ciúme é pontual e não uma característica da pessoa, é importante observar como esse sentimento surgiu e conversar com o parceiro ou a parceira, diz a especialista. "Rever expectativas em relação à parceria e o 'contrato' amoroso pode ser importante", disse.

"Se o ciúme é uma característica da pessoa, é importante procurar ajuda psicológica, porque trará sofrimento recorrente em qualquer parceria".

DOENÇA.

Simone Januário diz ainda que o ciúme se torna patológico quando limita e traz sofrimento ao ciumento e seus pares. "É possível também que o ciúme se torne exagerado por conta da incerteza sobre as próprias emoções e dificuldade de lidar com impulsos", disse.

E ela faz um alerta: é importante lembrar que o ciúme patológico, ou a Síndrome de Otelo (em referência a obra de Shakespeare) pode ser tão perturbador ao ponto de facilitar o desenvolvimento de quadros ansiosos e depressivos.

"A partir de uma ideia obsessiva, fantasiosa, de que está sendo traído, o ciumento se comporta numa tentativa de controle (controle é uma ilusão) que o leva a comportamentos inadequados e até perigosos (para si e para a parceria)", afirma.

A também psicóloga e sexóloga Cris Borges, de São José, lembra que existe um ambulatório no Hospital das Clínicas, no Instituto de Psiquiatria da USP só para tratar do amor patológico. "O ciúme, a possessividade, pode ser abusivo muitas vezes. Tem pessoas que trancam o companheiro e casa, rastreia o celular, então fica uma relação de controle ou de posse. A pessoa é cuidada como se fosse um objeto".

POSSE.

Para Cris Borges, o ciúme é relacionado ao que ela costuma chamar de 'objetificação' da pessoa amada. "Isso acontece por inúmeros fatores. Primeiro é a possessividade da pessoa e normalmente a pessoa tem, ou baixa autoestima, acredita que a pessoa que ela gosta, ama, não vai achar que ela tem valor, ou valor menor do que qualquer outra pessoa que o amado possa olhar por aí e também tem a ver com a história da posse. É um olhar objetificado do relacionamento", ressalta.

Segundo ela, o ciúme não é uma característica só do humano. "A gente observa, por exemplo, em animal de estimação quando chega um bebê na casa ou animal de estimação novo", lembra.

"Mas o humano tem a capacidade cognitiva e através da cognição a gente trabalha os pensamentos e os comportamentos"..

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