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O Evangelho e a Política

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Eleições
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Pe. Ronildo Aparecido da Rosa*

A palavra Evangelho significa "Boa nova" ou "Boa notícia". Esta palavra é utilizada tanto para descrever o conjunto de ensinamentos e a vida de Jesus, o Filho de Deus, quanto para descrever que a Boa nova é o próprio Deus encarnado, o Cristo, assim como a chegada do Reino de Deus, no meio de nós.

A necessidade da participação e presença dos cristãos e cristãs nas decisões políticas é inerente à prática do Evangelho. Nossa atuação neste espaço é pautada pelos valores e princípios da Doutrina Social da Igreja, ou seja, na busca do bem comum, não em valores estritamente pessoais ou ideológicos partidários.

Muitos de nossos fiéis vão se perguntar o porquê da Igreja Católica falar de política, principalmente nesse momento onde o clima de polarização se faz tão presente. É fundamental entender que é missão da Igreja é evangelizar e, para tanto, a Palavra de Deus deve ecoar na plenitude da vida das pessoas e em todas as suas dimensões.

O texto base da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema foi "Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso" e o lema: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele" nos apresenta em seu parágrafo 120 o seguinte esclarecimento, com base nos documentos Deus Caritas Est e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil:

"A caridade deve animar a existência inteira dos fiéis leigos e, consequentemente, também a sua atividade política vivida como 'caridade social' (DCE, n. 29). A boa política é um meio privilegiado para promover a paz e os direitos humanos fundamentais. A caridade, portanto, 'é o princípio não só das microrrelações (...), mas também das macrorrelações como relacionamentos sociais, econômicos, políticos'. A omissão dos cristãos nesse campo pode trazer gravíssimas consequências para a ação transformadora na igreja e no mundo".

Cada eleitor deve ter em mente o processo para valorizar o direito conquistado. Escolher nossos representantes por meio do voto é fruto de intensas lutas e de um longo caminho percorrido. É importante destacar que essa participação não termina nas urnas: nossa escolha tem consequências que se desdobram no dia a dia, no conhecimento sobre como funcionam as instituições públicas, no acompanhamento das ações dos eleitos e, sobretudo na busca por uma justiça pautada no bem comum, sempre.

Portanto, os cristãos e cristãs engajados na vivência do Evangelho devem se empenhar na atuação política. Como forma de organização e transformação social, a política permeia nossa vida. Para nós, cristãos, a construção de uma sociedade justa e solidária, a dignidade humana deve ser princípio fundamental de nossas ações.

*Pároco da Paróquia São Vicente de Paulo e Assessor da Comissão Sociopolítica da Diocese SJCampos

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