O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, declarou nesta terça-feira, em coletiva de imprensa, que a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de interromper os testes clínicos da vacina CoronaVac, em função da suposta morte de um voluntário, causou indignação. O imunizante é desenvolvido pelo Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.
Segundo ele, a Anvisa recebeu no último dia 6 um documento com a informação de que um participante do estudo clínico teve efeito adverso grave não relacionado à vacina. Em nenhum momento, ele frisou, teria sido usada a palavra "óbito".
O anúncio da suspensão dos testes ocorreu na noite de segunda. De acordo com Covas, a imprensa noticiou o fato vinte minutos após a Anvisa informar que teria uma reunião nesta terça sobre o assunto.
Ele diz que o processo acabou fomentando medo e insegurança.
- Não há nenhuma necessidade de se interromper os estudos. A troco de quê? - questiona ele.
Covas alegou sigilo para não dar detalhes sobre o caso, mas disse que a Anvisa possui dados de que o evento grave com o voluntário não tem relação alguma com a vacina.
- Hoje (terça) de manhã ocorreu uma reunião com a Anvisa para esclarecer todas as dúvidas. Interromper um estudo clínico causa sofrimento, dor e insegurança. Causa dificuldade naqueles que querem ser submetidos ao estudo - completou Covas.
Ele diz esperar a retomada dos estudos entre hoje e amanhã.
- Não há motivo para protelar isso. Essa vacina não teve reação adversa grave. É a vacina mais segura até esse momento.
Dimas Covas também fez um apelo à Anvisa.
- Quero acreditar que a Anvisa seja técnica e independente. É a guardiã sanitária do país, tem que se preocupar sim com tudo o que é produto de saúde, tem que ter critérios. Ela é reconhecida internacionalmente. Se esse episódio representa alguma mudança... não creio e não quero acreditar nisso. Vou atribuir a uma dificuldade comunicação - declarou Dimas.