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Casais com diferenças de idade enfrentam tabus e desafios

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 2 min

Raphaela Silva Barros, psicóloga, tem 22 anos. E vive relacionamento com uma pessoa 47 anos mais velha. "A maior dificuldade não está na diferença cronológica, mas na estranheza desproporcional de uma sociedade que se diz acolhedora mas se mostra ameaçadora para os que decidem jogar fora das regras tradicionais", relata.

Assim como ela, muitas outras pessoas formam casais desse tipo e, muitas vezes, sofrem o preconceito.

Para especialistas, a diferença de idade pode ser um desafio para qualquer um dos dois na relação. "O amadurecimento, as questões existenciais, momentos diferentes em relação a vida acadêmica ou profissional, podem ser motivos de discussão ou incompreensão entre os pares", disse a psicóloga Simone Januário, de São José.

Segundo ela, as pessoas envolvidas precisarão ficar atentas para não se sufocar ou não fazer com que o outro, o mais novo, queime etapa. "Por exemplo, um homem mais novo que não quer que a mulher mais velha faça uma pós-graduação porque ele está na graduação. Ou um homem mais novo, com uma mulher muito mais velha, e ele passa a frequentar chá de bebê, de revelação, ao invés de ir na balada com ela".

Segundo Simone, o machismo estrutural acaba influenciando para que as pessoas vejam com mais naturalidade o homem mais velho com uma mulher mais nova. "Como se ele pudesse oferecer maior possibilidade de 'cuidar' da mulher. Por outro lado, mulheres mais velhas com homens mais novos, podem sofrer com olhares e comentários preconceituosos, talvez esse seja o impacto mais visível", disse.

Para a especialista, não existe um motivo específico para se apaixonar por uma pessoas bem mais nova ou bem mais velha. "As leis da atração são extremamente subjetivas, dependem das experiências de vida, da história pessoal e como os gostos e desgostos vão se construindo na intimidade de cada um", afirmou.

PRÓS E CONTRAS.

A psicóloga e sexóloga Cris Borges, de São José, ressalta que a diferença de idade, como qualquer diferença entre parceiros, tem custos e benefícios. "Muitas vezes pode ser uma violência a relação entre um adulto jovem e um adulto já formado, outras vezes uma troca de experiências incrível. Mais violenta ainda pode ser a dor de ser censurado de viver essa história pela diferença de idade", disse. Para ela, o impacto é sempre sócio-cultural. "Em ambos existem tabus e olhares de censura da sociedade e em ambos existem questões práticas como diferenças de fases da vida, valores, épocas, e eventualmente a debilitação e a morte de um muito antes do outro", afirma Cris.

Segundo a psicóloga, o mais importante independe da diferença entre os parceiros é a relação ser horizontal, nunca algo que submeta um ao outro. "Só assim a relação tem espaço para ser saudável", finaliza Cris a OVALE..

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