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DESAFIOS E DIREITOS NASRELAÇÕES HOMOAFETIVAS

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 3 min
social media e gay
social media e gay

Já dizia o trecho da música do cantor Lulu Santos, sucesso na década de 1980: 'Consideramos justa toda forma de amor'. Porém ,em pleno século 21, um relacionamento homoafetivo ainda gera preconceito e tabus.

Não se trata de uma escolha, mas de uma condição de cada um. Com medo do preconceito, homossexuais acabam muitas vezes tendo problemas em assumir sua sexualidade e, principalmente, contar para amigos e familiares. Para especialistas em comportamento, as pessoas buscam sempre serem reconhecidas pelo que são, sem sofrer preconceito e rejeição.

"Contar para os familiares é sempre uma tarefa árdua pois temos tabus, crenças e sabemos exatamente onde são os calos de onde viemos. Além disso tudo que mais queremos na vida é sermos amados e reconhecidos, especialmente pelos nossos familiares e entes queridos", disse a psicóloga e terapeuta sexual Cris Borges, de São José dos Campos.

Para ela, é preciso sempre ser transparente e valorizar o amor, que é o mais importante. "Não existe segredo para anunciar o que sentimos e sim honestidade em falar sobre a genuinidade do sentimento, que além de não ser uma escolha é uma forma de amar", ressalta a especialista.

PRECONCEITO.

Mas, e quando um casal gay sofre algum tipo de preconceito? "Qualquer forma de preconceito ou desrespeito deve ser denunciada e se a pessoa se sentir em risco deve procurar formas judiciais de defesa", enfatiza Cris. Segundo ela, o preconceito geralmente é um julgamento fundamentado em valores distorcidos ou em recalque de pessoas que não estão felizes com a própria vida ou que têm medo da situação que foge do tradicional e esperado socialmente. "Sempre é incômodo ser julgado e quanto maior o vínculo com quem tem esse preconceito, maior a angústia gerada", afirma.

"Se existe tratamento para a homossexualidade, essa é uma das principais demandas: orientar e tratar o ambiente em que pessoas homossexuais vivem para que elas possam se sentir livres para amar", disse.

IDENTIDADE.

A também psicóloga Simone Januário, de São José, lembra que a orientação sexual é uma parte da identidade do sujeito e se constrói à medida que a pessoa se desenvolve.

"Neste sentido, podemos pensar que a família sabe ou percebe a orientação sexual de alguém que faz parte dela", disse a especialista.

Segundo ela, tanto nos relacionamentos héteros, quanto nos relacionamentos homossexuais, contar para a família implica estar convicto de suas escolhas e intenções.

"Ao ponto de trazer para casa alguém que vai entrar em contato com o núcleo familiar. Este contato pode ser positivo, se respeitoso de todos os lados", ressalta Simone.

"Contar para os familiares não precisa ser um grande evento, pode ser aos poucos, porque um relacionamento não se faz do dia para noite", disse a especialista.

Ela lembra ainda que o mundo vive um momento em que os preconceitos aparecem de forma muito violenta em nosso cotidiano.

"Quando alguém é ferido, há uma tendência a atacar (partir para a briga) ou fugir. O mais saudável a fazer deveria ser uma análise da situação e buscar estratégias para lidar. Fofocas, comentários maldosos e as 'toxinas' emocionais devem ser evitadas. Focar na decisão de fazer o relacionamento funcionar, pode ser uma boa forma de lidar com a situação", afirma Simone.

"De qualquer forma, o preconceito vai aparecer e é necessário buscar amparo para lidar com ele", disse a psicóloga.

De acordo com ela, o preconceito está relacionado com ideias que vem antes dos fatos.

"Uma boa pergunta que todo casal deveria fazer, independente da orientação sexual, é quais são os medos de cada um", afirmou a psicóloga.

De acordo com ela, duas pessoas unidas podem refletir melhor sobre as estratégias para lidar com situações constrangedoras ou violentas.

"Quando isso acontece, sem dúvida o casal ganha mais cumplicidade e a relação se fortalece. Submeter alguém às suas verdades pode ser tão doloroso quanto ser submetido às verdades alheias", ressaltou Simone..

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