Brasil

Novos vídeos sugerem que João Alberto já conhecia seguranças

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 2 min
Enterro de João
Enterro de João

Novos vídeos do momento em que João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi morto sugerem que ele conhecia os seguranças do Carrefour. Numa das imagens, Nego Beto, como era conhecido, imobilizado e respirando com dificuldades, aparece ofegante e gemendo no chão, quando um terceiro funcionário do supermercado se abaixa e diz: "A gente te avisou da outra vez". Em outro momento, o mesmo homem afirma: "Aí, rapaz, sem cena, tá?".

O depoimento de Adriana Alves Dutra, agente de fiscalização do Carrefour, corrobora a tese de que a vítima conhecia seus assassinos. Ela afirmou à polícia que ouviu de uma funcionária da loja que já havia presenciado "atrito com fiscais" e João Alberto. O autor das novas imagens não foi identificado.

Moradores do bairro IAPI, onde está situado o Carrefour, relatam um histórico de perseguição pelo corpo de segurança do estabelecimento.

— Esse é o procedimento padrão deles. Já presenciei situações de violência nesse supermercado. Depois que ocorre, eles trocam a guarda. Mas o procedimento é sempre o mesmo. Sofremos perseguição — afirma o líder comunitário Paulo Paquetá.

Um vídeo mostra também que ao menos sete pessoas testemunham o crime. A Polícia Civil tenta descobrir o que gerou as agressões e se outras pessoas, além dos seguranças, têm responsabilidade, por assistirem "passivamente". Segundo a investigação, Beto ficou cinco minutos pressionado no chão e a causa provável da morte é por asfixia.

Imagens mostram que Beto foi escoltado até a saída do supermercado e que a briga começou após ele dar um soco num segurança. Não está claro o que fez ele ser expulso da loja, nem começar a briga. No entanto, uma testemunha disse ao "Fantástico", da TV Globo, que os seguranças "espancaram" Beto em vez de tentar conter.

‘Um acidente’, diz advogado

Duas pessoas estão presas: os seguranças do Carrefour Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, que também é policial militar temporário. O advogado de Silva classificou como "um acidente" a morte de João Alberto. Em entrevista à Rádio Gaúcha, David Leal afirmou que o segurança "foi inexperiente" na abordagem à vítima. "Ele (João Alberto) era mais forte do que os dois seguranças, o meu cliente é franzino, um guri."

Em nota, o CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmou que a morte de João Alberto foi um "ato horrível" e que as as imagens são "insuportáveis". Ele pediu "uma revisão completa das ações de formação de colaboradores e terceirizados em questões de segurança e respeito à diversidade".

Neste domingo, o Brasil viveu o terceiro dia seguido de manifestações contra o racismo. Os atos ocorreram em Rio de Janeiro, São Gonçalo, Salvador, Maceió e Santos. Nos últimos dias, foram registrados protestos em várias capitais.

Comentários

Comentários