O coronavírus mantém patamar elevado em número de casos, internações e mortes no Vale do Paraíba e faz cidades adotarem ou estudarem medidas mais restritivas nas próximas semanas.
Para conter a onda de contaminação, especialistas recomendam mais restrições.
Analisando os dados da pandemia na região desde o registro dos três primeiros casos, em 18 de março do ano passado, percebem-se claramente duas ondas de contaminação.
A primeira ocorreu entre julho e agosto, quando o Vale atingiu o pico de 15,4 mil contaminados em agosto, o maior de toda a pandemia até então.
O governo estadual anunciou medidas mais restritivas, os municípios tiveram que fechar mais atividades econômicas e a doença iniciou uma trajetória de queda a partir de setembro. Outubro encerrou com 6,5 mil diagnósticos positivos, o menor número de infectados desde junho.
No entanto, as aglomerações retornaram com a realização de eleições municipais e a doença voltou a subir a partir de novembro, atingindo o recorde de 15,8 mil casos confirmados em dezembro, o maior de toda a pandemia.
Mas nada indicava o que viria pela frente em 2021, ano que quebrou todos os recordes negativos do coronavírus com a segunda e mais mortal onda da doença.
Por causa das aglomerações de final de ano, o número de doentes subiu para 38,3 mil em janeiro, o maior de toda a pandemia até o momento. Tratou-se de um salto de 142% no total de casos comparado ao número de dezembro, que já havia registrado 122% de crescimento ante o mês anterior.
A partir de fevereiro, a quantidade de novos casos registrou queda de 21% e o mês terminou com 30,4 mil infectados, ainda assim quase o dobro dos casos de dezembro.
Em março caiu mais um pouco (-1%) e o total foi de 30 mil diagnósticos positivos.
A partir de abril, contudo, o sinal voltou a ser de adição e a doença fez mais contaminados, com 32,5 mil em abril, 8% a mais do que março. Maio encerrou com 36,9 mil infectados e 13% de alta ante o mês anterior.
'Dados do Vale não indicam fase de conforto', diz pesquisador da Unesp
Os dados atuais do Vale do Paraíba sobre a Covid-19 estão longe de indicar uma situação de conforto. Pelo contrário. Eles prenunciam o risco de uma terceira onda de contaminação, com os meses mais frios, se os municípios não intensificarem as medidas de restrição. A avaliação é do matemático Wallace Casaca, que é professor da Unesp e pesquisador da USP e coordenador da plataforma SP Covid-19 Info Tracker, que analisa dados da doença em todo o estado. "Os dados do Vale hoje não seriam favoráveis para estar em fase de conforto. Há novas internações e houve crescimento acentuado nas últimas semanas, o que vem acontecendo desde meados de abril. A curva de internações desceu e voltou a subir".
Com os casos em patamar elevado e aumento nos últimos dois meses, o risco é maior de a contaminação crescer ainda mais com o período frio, mais propício a doenças respiratórias e virais. "Há a possibilidade de uma terceira onda na região. As variantes já estão circulando e o risco é maior com essa mutação que vem da Índia".