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Biden lidera a Cúpula Internacional pela Democracia contra onda autoritária no mundo

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
Joe Biden
Joe Biden

Democracia em contradição.

A corrosão da democracia no mundo levou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a idealizar a Cúpula Internacional pela Democracia, realizada no final do ano passado. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) foi um dos participantes.

Na abertura do evento virtual, que contou com representantes de mais de 100 países, Biden fez um apelo à comunidade internacional para “cerrar fileiras” e alcançar “compromissos concretos” para conter a expansão dos regimes autoritários.

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O encontro foi uma iniciativa pessoal do presidente dos Estados Unidos após eventos domésticos que abalaram a democracia americana, como a invasão do Capitólio e ataques à confiabilidade do sistema eleitoral.

Outro motivo é a escalada de políticos de extrema direita após o início da onda Donald Trump, presidente derrotado por Biden cuja vitória, em 2016, reverberou em todo o planeta.

Também Bolsonaro é considerado um desses ‘puxadores’ dessa espécie de ‘terraplanismo democrático’ em voga no mundo.

Na cúpula, Biden advertiu para a “pressão dos autocratas” em países pelo mundo.

Disse o mandatário dos EUA: “Procuram ganhar mais poder, exportar e expandir sua influência no mundo e justificar suas práticas repressivas como uma forma mais eficiente de confrontar as provocações atuais. É assim como vendem”.

Excluída do encontro internacional, a China reagou publicando um documento intitulado ‘China, uma democracia que funciona’, em que argumenta não existir “um modelo fixo de democracia”.

O texto defende que o sistema autoritário chinês funcionou melhor diante da pandemia do que o dos Estados Unidos, onde dominou a “polarização”.

Bolsonaro também discursou na Cúpula Internacional pela Democracia. Em sua fala, o presidente ignorou os ataques sistemáticos que faz aos direitos humanos, à imprensa e às instituições brasileiras, fundamentais ao Estado democrático de direito.

O chefe de Estado brasileiro defendeu seu compromisso com os direitos humanos, tecendo elogios ao trabalho do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado por Damares Alves. Ele ainda enalteceu o trabalho do governo federal na administração pública “transparente e responsável”.

A participação na cúpula presumiu a adesão a compromissos comuns em prol do fortalecimento da democracia tanto em níveis domésticos quanto internacionais pelos participantes do evento.

Sem emitir sinais claros nessa direção, a participação de Bolsonaro no mais importante evento mundial recente sobre a defesa da democracia não se transformou numa chancela internacional às diretrizes do movimento liderado por Biden.

As declarações recentes de Bolsonaro em favor da Rússia, por exemplo, repercutiram  muito mal no cenário internacional e enviaram um sinal trocado a líderes europeus e principalmente ao próprio Biden, cuja diplomacia cobrou uma postura direta do Brasil contra a invasão russa na Ucrânia.

Na avaliação do cientista político Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), o Brasil deveria tomar uma postura unitária diante da invasão russa e não enviar sinais contraditórios ao exterior.

“A fala de Bolsonaro foi na contramão do discurso do embaixador, que tomou a postura correta. O Brasil pode ter problemas políticos por causa disso”, disse.

No entanto, descobriu-se que Bolsonaro fez pior e divulgou em grupos de Whatsapp mensagens elogiando a Rússia e citando teoria da conspiração sobre domínio mundial.

“Só existem a Rússia, a China e a Liga Árabe capazes de enfrentar a NOM (Nova Ordem Mundial). O Brasil está no radar da NOM e de toda a esquerda”, diz um dos textos. “Três ministros do STF e a mídia brasileira (via fraude eleitoral) estão prontos a entregá-lo pela metade do preço que o presidente da Ucrânia entregou seu país”.

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