Ditadura da bola.
Historiadores investigam quais as razões que levam políticos no poder a tentar interferir no futebol.
Uma das explicações é a popularidade do esporte bretão no Brasil e seu alcance e impacto social.
Outra é a identidade do brasileiro junto ao esporte, que faz parte da vida nacional desde a mais tenra idade.
"O futebol é mais do que um esporte, ele pode ser considerado um fenômeno social", explicou a doutora e mestra em História pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Zuleika Sabino, de São José dos Campos.
Já tendo pesquisado sobre o futebol, a historiadora afirmou que, mesmo quem não acompanha a modalidade, sabe que ela está "literalmente na boca do povo".
"Temos muitas expressões que utilizamos para nos expressar. Dada a popularidade que esse esporte alcançou como negócio e como uma narrativa de identidade de país, desde a primeira metade do século 20, discussões do campo esportivo com o político são recorrentes", afirmou Zuleika.
FLA-FLU.
A historiadora de São José dos Campos lembra, por exemplo, que em meio à Gripe Espanhola também houve campeonato futebolístico. Ou seja, a atividade esportiva do futebol é popular há muito tempo no planeta.
Para ela, no entanto, há um efeito que deve ser investigado no Brasil de 2021, que vai além do futebol. Ela vê a polarização política dos dias atuais como uma substância a mais nesse caldeirão político que vivemos. A politização do futebol faz parte dessa mistura.
"Estamos em meio a uma crise sanitária que também é econômica, política e social. Uma espécie de 'Fla-Flu' no cenário político desde 2013, e talvez nem todos tenham essa percepção"..