Recessão. Na economia, o dicionário explica como diminuição da atividade econômica, com queda da produção, desemprego etc.; crise.
Crise. O Brasil viu o PIB (Produto Interno Bruto) sofrer uma queda recorde no segundo trimestre, e agora o país entra de novo em recessão.
Em meio a crises políticas e sanitárias, a crise econômica volta a assustar.
Na comparação com os primeiros três meses do ano, o desastroso segundo trimestre teve um tombo histórico de 9,7%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado vem dentro do esperado pelo mercado financeiro e pelo próprio governo Jair Bolsonaro (sem partido), por conta da pandemia causada pela Covid-19.
Para se ter ideia, a maior queda até então na série histórica havia sido registrada no fim de 2008 (-3,8%).
No primeiro trimestre, o índice já havia ficado em baixa: -2,5%. Ou seja, com dois desses períodos negativos consecutivos, o Brasil volta oficialmente a entrar em recessão.
"Já estamos vendo um aumento significativo da taxa de desemprego em junho, com 13%, e tem quantidade crescente de trabalhadores que chamamos de 'desalentados', quem não procura mais emprego e está à margem do mercado de trabalho", disse a OVALE Carlos Braga, ex-diretor do Banco Mundial e professor associado da Fundação Dom Cabral.
"Essa pandemia tem características únicas. No mundo, é pela primeira vez uma recessão coordenada. Todo mundo está sendo afetado. Alguns países mais do que outros. Quem levou a sério a saúde pública já está se recuperando, como a China, não vai entrar em recessão. Nos EUA é recessão, Reino Unido mais do que 10%, na zona do euro 10%", declarou.
CRISE.
De fato, a variação do PIB demonstra queda no segundo trimestre em vários lugares. Países como Estados Unidos (-9,1%) e Alemanha (-9,7%) tiveram resultados próximos do Brasil, enquanto França (-13,8%), Espanha (-18,5%) e Reino Unido (-20,4%) tiveram números ainda piores.
No entanto, no Brasil, a recessão acumulada de -11,9% nos dois semestres (cálculo feito Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) mostra o pior valor da história do país.
A recessão de nove trimestres entre 1981 e 1983 alcançou -8,5%, enquanto os 11 trimestres entre 2014 e 2016 chegaram a -8%, ambos em valores já corrigidos.
A interrupção de uma sequência de quedas trimestrais do PIB já seria, tecnicamente, uma saída da recessão. Na prática, porém, depende também da recuperação consistente da maioria dos setores da atividade econômica do país: enquanto o Agronegrócio variou positivamente (0,4%), o setor de Serviços (-9,7%) e a Indústria (-12,3%) tiveram quedas bruscas no trimestre.
O período, também, mostra queda acentuada nos gastos do governo federal (-8,8%), mas principalmente no consumo das famílias (-12,5%, mesmo com o auxílio emergencial), na importação (-13,2%) e nos investimentos (-15,4%).
"Notícia boa é que não há expectativa de crise financeira, de ter que salvar bancos. A probabilidade hoje é mais baixa. O que vamos observar são falências de empresas, as mais responsáveis pelos empregos, particularmente as pequenas e médias. Esse é um quadro negativo e vai coloca na ponta da discussão política a questão do teto de gastos, da credibilidade do governo com relação à âncora fiscal", explica novamente Carlos Braga.