Brasil

Opas defende cautela até haver garantia da eficácia de vacina da Rússia contra Covid-19

Por Agência O Globo |
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Estudo de vacina contra coronavírus
Estudo de vacina contra coronavírus

A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) defendeu cautela em relação à vacina anunciada na Rússia contra a Covid-19 até que haja transparência e garantia sobre a eficácia e segurança da imunização. Autoridades do braço da OMS (Organização Mundial da Saúde) reforçaram nesta terça-feira que nenhuma vacina pode ser

"A OMS está em contato com as autoridades regulatórias da Rússia para receber informações sobre essa vacina. Só depois de analisar todos esses dados será possível fazer uma recomendação", afirmou o médico brasileiro Jarbas Barbosa, vice-diretor da Opas.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta terça-feira que o país registrou a primeira vacina do mundo contra o novo coronavírus. Batizada de "Sputnik 5", em referência ao satélite soviético lançado em 1957 na órbita da Terra, ela desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou, após menos de dois meses de testes em humanos.

Barbosa explicou que para que uma vacina seja recomendada e possa ser adquirida pela Opas é preciso que seja pré-qualificada pela OMS. Mesmo em casos de emergência de saúde pública, como hoje, os processos devem seguir garantias de qualidade e eficácia.

"Só depois de fazer essa revisão e de ter acesso de maneira transparente a todos os dados poderemos tomar uma posição sobre essa vacina da Rússia e qualquer outra em desenvolvimento. O processo é exatamente o mesmo", disse Barbosa.

Questionado sobre o interesse do estado do Paraná em adquirir e testar a imunização, Barbosa reforçou: "É muito importante o esforço de países da região em tentar aumentar a capacidade de produção para a vacina. Mas qualquer vacina de qualquer produto deve seguir uma metodologia cuidadosa para assegurar que é eficaz e segura".

Ainda sobre o Brasil, autoridades da Opas lembraram que o país já soma mais de cem mil mortos pelo novo coronavírus, o que representa um longo caminho no combate à doença. "Em alguns estados brasileiros, a taxa de positividade é elevada, de mais de 20%", afirmou o diretor do Departamento de Doenças Infecciosas, Marco Espinal. "O Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para garantir que os testes sejam de amplo acesso a toda a população".

Segundo a diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, a região das Américas já registra mais de dez milhões de casos de Covid.

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