O prazo é 15 dias.
Esse é o período que o médico João Gabbardo calcula para o estado de São Paulo colapsar completamente no seu sistema de saúde.
Ex-secretário executivo do Ministério da Saúde e ocupante deste mesmo cargo no Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Gabbardo lembra que, há um ano, a OMS (Organização Mundial da Saúde) caracterizou a situação como pandemia.
Hoje, a situação é completamente inédita. "Jamais poderíamos imaginar que, um ano depois, estivéssemos falando de recordes de óbitos".
Para ele, as medidas restritivas anunciadas pelo governo estadual, que valem entre 15 e 30 de março, se impõem aos paulistas.
"Se isso não for cumprido nos próximos 15 dias, não vamos conseguir acompanhar a velocidade da pandemia colocando mais leitos. Se não aumentarmos o isolamento social, muita gente vai morrer".
Gabbardo lembra que não é mais apenas uma ameaça ao sistema público de saúde, mas a todos os moradores.
"Não vai ter leito nos hospitais privados. Morrerão ricos e trabalhadores informais, e da classe média. Não vai ter leitos e os médicos terão que optar quem ocupará esses leitos. Chegamos ao ponto mais dramático da pandemia e essa é a única maneira que temos de nos proteger: isolamento social, ficar em casa e só sair quem tiver um motivo muito especial", afirmou o médico.
Gabbardo garante que só o que resta é aumentar o isolamento social e manter, a qualquer custa, o distanciamento.
"O governo estadual assumiu todas as recomendações feitas pelo Centro de Contingência. A história vai julgar lá na frente quem seguiu a ciência e quem não seguiu", disse ele em referência ao governo Jair Bolsonaro (sem partido), considerado o pior no combate ao coronavírus em um estudo com 98 países.
Também médico do Centro de Contingência, José Medina alerta para o perigo da situação. "Estamos enfrentando uma segunda onda onde cabem restrições pesadas para preservar as vidas de agora, e retomar medidas menos restritivas depois"..