Pacientes foram atendidos em macas nos corredores do Hospital Municipal de São José dos Campos nesta última semana, marcada pela tentativa da prefeitura de ampliar a flexibilização na cidade. O hospital é referência para o tratamento de Covid-19 no município.
As imagens mostram ao menos cinco pacientes em macas e camas sendo atendidos em corredores do hospital, que tinha 70,9% de ocupação em leitos de enfermaria para atender Covid-19 e 67,1% em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na sexta-feira (13). Há papéis colocados nas paredes dos corredores com o número do leito e informações dos pacientes.
Procurada, a Prefeitura de São José dos Campos admitiu a colocação de pacientes nos corredores e negou que eles sejam da ala Covid-19 ou suspeitos de estarem contaminados.
Segundo a administração, trata-se de atendimento dos setores de urgência e emergência, que atendem acidentados, por exemplo, que muitas vezes recebem os primeiros socorros em macas até que seja liberado o leito definitivo.
“Todos os demais atendimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados de forma apropriada em seus 372 leitos, porém, em alguns momentos, há necessidade de iniciar o tratamento do paciente nas macas até a liberação do leito definitivo”, explicou a administração. “Cabe ressaltar que o Hospital Municipal amplia e faz a reorganização dos seus 372 leitos de acordo com a demanda e que todos os pacientes são devidamente atendidos.”
REPERCUSSÃO
As imagens geraram críticas nas redes sociais. Raquel de Paula, que disputou a eleição para a prefeitura de São José dos Campos pelo PSTU no ano passado, e a vereadora de São José Amélia Naomi (PT) criticaram a prefeitura.
“É diante desta realidade que [o prefeito] Felício Ramuth se nega a decretar um lockdown, com garantia de auxílio a trabalhadores informais, autônomos e pequenos negócios. Para ele, São José é uma ‘ilha’ e não corre risco de colapso como já ocorre em grande parte do país. Uma irresponsabilidade”, escreveu Raquel de Paula.
"Os casos de coronavírus aumentam na cidade. O estado de São Paulo entra em fase emergencial. Brasil batendo recordes de mortes pela doença. Mas o prefeito Felicio, de forma irresponsável, nega a pandemia”, apontou Amélia.