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Ao rebater críticas, Bolsonaro diz que ainda não foi convencido a mudar de postura sobre pandemia

Por Agência O Globo |
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Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro

Incomodado com as críticas ao governo no combate à pandemia da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que ainda não foi convencido a mudar de postura e que o Brasil tem tido um trabalho "excepcional" na disponibilização de vacinas. Em discurso no Palácio do Planalto para assinatura do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), o presidente aproveitou para fazer uma defesa da sua gestão na área econômica, da saúde e da educação.

"Devo mudar meu discurso? Me tornar mais maleável? Devo ceder, fazer igual a grande maioria está fazendo? Se me convencerem do contrário, eu faço. Mas não me convenceram ainda. Devemos lutar contra o vírus, e não contra o presidente", disse Bolsonaro na cerimônia.

Antes de discursar, o presidente reclamou da ausência da imprensa à Secretaria Especial de Comunicação (Secom). Segundo ele, é "inadmissível" a sua assessoria deixar os jornalistas fora do evento, que foi restrito para autoridades, porque ele tinha "coisas maravilhosas para falar". O presidente admitiu que estava dando uma "bronca pública" em seus subordinados.

Bolsonaro voltou a dizer que o Brasil é o quinto que mais vacina contra a Covid-19 em valores absolutos no mundo. Proporcionalmente, no entanto, cerca de 5% da população brasileira foi vacinada até agora.

"Nós somos o quinto país que mais vacina em valores absolutos. A Fiocruz entra na segunda semana com a produção semanal de 5 milhões de doses. Está faltando vacina? Queríamos mais. Mas dentro da disponibilidade do mundo somos algo excepcional. Qual país do mundo não tem problema com vacina?", questionou.

O presidente também disse que setores da sociedade o pressionam a decretar lockdown e que, se houvesse comprovação de que a medida acabaria com o vírus, em 30 dias ele aceitaria:

"Se ficar em lockdown em 30 dias e acabar com vírus eu topo, mas sabemos que não vai acabar".

No mesmo dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou que a situação da pandemia no Brasil é "muito preocupante" e recomendou um ação coordenada para combater o vírus, com os governos estaduais e municipais, Bolsonaro citou a instituição para dizer que o isolamento total não é eficaz.

"Querem, alguns setores importantes da sociedade, que eu decrete um lockdown nacional ou um lockdown regional. Porque eu devo seguir a ciência. Então eu vou seguir a ciência. Declarou aqui David Nabarro, emissário da OMS: "e, portanto, apelamos a todos os líderes mundiais, parem de usar o lockdown como seu método de controle primário..."", disse Bolsonaro.

E acrescentou:

"Diz, então, a OMS, que a única consequência do lockdown é transformar as pessoas pobres em mais pobres. E alguns querem que eu decrete o lockdown? Me chamam de negacionista ou de ter discurso agressivo. Respeitem a ciência. Não deu certo. Não estou afrontando ninguém, estou seguindo a OMS. Não podemos transformar os pobres em mais pobres".

A fala de Nabarro, entretanto, foi tirada de contexto. O integrante da OMS já aconselhou a retomada da vida social e atividade econômica sem que ela resulte em aumento de mortes pela Covid-19. O Brasil, por outro lado, vem registrando recordes de óbitos em sequência.

"Temos que nos preocupar com vidas, sim, mas também com empregos. Uma pessoa desempregada por ter problemas que levam ao óbito. Vamos buscar uma melhor maneira de atender a população? Vamos. Parece que só no Brasil está morrendo gente. Lamento o número de mortes, qualquer morte. Não sabemos onde isso vai acabar, se vai acabar um dia. Vamos ficar fechados até quando? Estou preocupado com vidas, sim", afirmou Bolsonaro..

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