Economia

Após fim de acordo com a Boeing, Ozires pede 'cabeça erguida' e diz que Embraer tem futuro de sucesso pela frente

Por @Da redação |
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Ozires Silva
Ozires Silva

Ex-presidente da Embraer e um dos fundadores da companhia, o engenheiro Ozires Silva, 89 anos, gravou um vídeo para passar uma mensagem de otimismo e ânimo aos empregados da fabricante, cujo acordo comercial com a Boeing foi rescindido pela companhia norte-americana. A parceria era considerada estratégica para o futuro da Embraer.

Defensor da transação comercial com a Boeing, Ozires falou aos empregados sobre os desafios que virão pela frente, falou do passado e disse que a empresa deve mirar e vencer os desafios que se impõem, como o atual.

“A Embraer foi criada por sonhos, coragem, iniciativas e competência, de pessoas como vocês que, ao longo do tempo, se dedicaram com muito esforço a vencer num mundo competitivo que vivemos hoje”, disse o engenheiro.

Lembrando-se do início da companhia, em 1970, Ozires conclamou os empregados a acreditar na capacidade da empresa.

“Tudo isso foi feito com coragem, iniciativa e competência, que conseguimos por meio da formação do ITA e de outras escolas posteriormente criadas. Vocês hoje fazem parte de uma empresa competente.”

Falou da reviravolta causada pelo novo coronavírus e os novos desafios que virão com a queda na aviação mundial.

“Agora, recentemente, o mundo foi acometido com uma epidemia de um vírus que afetou enormemente o nosso mercado. O transporte aéreo, que estava montado muito intensamente em todos os países do mundo, hoje há aviões parados para evitar a mobilidade, que foi definida como responsável pelo assédio dessa epidemia que parou praticamente a economia mundial.”

Citou a rescisão do acordo com a Boeing e pediu coragem para continuar na liderança do mercado internacional.

“Queria dizer para vocês que a notícia do rompimento da associação com a Boeing não deve afetar as nossas cabeças e não nos deixar pensar claro. A Embraer vai ter que enfrentar esse desafio, como foi o desafio de fazer cada avião, conquistar o mercado internacional e de conseguir as certificações necessárias.”

Ozires lembrou que a Embraer tem “aviões voando no mundo todo” e que isso “vai continuar a acontecer uma vez que a epidemia seja removida” e associou a rescisão com a Boeing com o desafio da privatização, em 1994.

“A negociação com a Boeing agora, para começar essa nova etapa, vai ser difícil, como foram também as decisões que nos levaram à privatização em 1994. Mas tenho certeza que isso não os desanimará, que não vai transformar a cabeça de vocês, que foi construída por uma cultura de inovação e de conquista de novas posições.

O engenheiro disse que os funcionários são “extremamente valiosos para a companhia”, sob o comando de Francisco Gomes Neto, CEO e presidente da Embraer.

“Temos para frente uma obrigação de sucesso, e sucesso é o que temos conseguido até agora. Esse sucesso vai continuar permear a todas as ações que a Embraer tomará daqui para diante.”

No final da mensagem, Ozires disse aos empregados para “caminhar com a cabeça erguida” e mostrar “que essa nossa companhia ganhou o mundo para ficar”, permanecendo “ao longo de muitos anos, gerando empregos, oportunidades, criando subsidiárias, tendo uma estrutura e produção de aviões bastante mais intensa do que temos hoje”.

Afastando a ideia de parar a companhia, Ozires quer que os empregados da Embraer estejam “entre os que não serão alcançados”, pela coragem e disposição em inovar.

E terminou: “Tendo ânimo que nos animou para chegar até aqui, esse ânimo vai continuar nos impulsionando a todos nós. Só tenho uma palavra para terminar essa pequena conversa com vocês: ‘Sucesso”, é o que vocês vão obter no futuro, de uma forma ou de outra, pelo espírito de luta que nos moveu até agora. Um abraço a cada um”.

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