Mais de 900 empresas do mundo inteiro suspenderam as publicidades nas últimas semanas na rede social Facebook, que já teve um prejuízo de quase R$ 400 bilhões. Tudo por conta da adesão dessas empresas ao movimento Stop Hate For Profit (Pare de dar lucro ao ódio, em tradução livre), que fizeram um pacto para segurar, por um mês, os anúncios na rede social, colocando em xeque a maior plataforma digital do gênero do mundo. A reivindicação é que a rede social de Mark Zuckerberg tome medidas mais rigorosas contra as postagens que estimulem ódio, violência, homofobia, racismo e fake news. Nomes de peso como a Coca Cola, Honda, Levis e tantas outras aderiram ao boicote.
O Facebook reagiu e informou nos últimos dias que vai começar a marcar posts que violem regras, bem como acrescentar um link informativo a postagens de campanha eleitoral nos EUA, direcionando os usuários a informações oficiais.
De qualquer maneira, a movimentação mostra as forças das marcas no combate ao ódio, principalmente em dias de muita turbulência na sociedade de um modo geral, que enfrenta a pandemia do novo coronavírus.
No meio publicitário, os especialistas veem com bons olhos a iniciativa das empresas. Jonathan Rocha, diretor da agencia 2aoCubo, de Americana, é um dos que considera válida a movimentação. "Acredito que o boicote é positivo para as marcas, pois criar um ambiente de comunicação saudável trará mais engajamento no futuro, inclusive aumentando o engajamento da própria plataforma Facebook, que tem perdido sua relevância exatamente por dar espaço para discursos que não atraem a maioria dos usuários", disse ao OVALE.
Segundo ele, a rede social precisará se reinventar daqui para a frente. "O Facebook, e qualquer outra rede, pois estes usuários vão migrar para outros canais, vão ter que repensar no seu modelo de negócio, e este próximo modelo pode não ser tão relevante para investidores a curto prazo, pois vai impactar na receita direta", ressalta.
Marcelo Pulice, diretor de mídia da Regional Marketing, de São José dos Campos, ressalta que as pessoas estão cada vez mais conscientes. "Acredito que o consumidor atual está cada vez mais de olho no comportamento social das marcas, como elas se posicionam sobre os temas mais polêmicos que incomodam a sociedade".
“(O boicote) Foi a forma que as empresas acharam de pressionar o Facebook para que aumentem o combate ao discurso de ódio, um grave problema que aflige a sociedade, ressalta Pulice.
“Penso que terão de se empenhar mais nessa guerra contra o discurso de ódio ou a pressão só irá aumentar", diz, sobre o Facebook.