O preço de venda dos imóveis residenciais cresceu 0,53% no mês de setembro, na comparação com agosto. A variação foi a maior nos últimos seis anos, segundo levantamento do Índice FipeZap divulgado nesta terça-feira. Juros baixos e maior interesse por imóveis após a quarentena favorecem as vendas e ajudam a explicar a alta.
Brasília e Curitiba foram as capitais que tiveram alta mais acentuada no período, com avanço de 1,97% e 1,39%, respectivamente. A cidade do Rio de Janeiro apresenta o metro quadrado mais caro do país (R$ 9.347/m²), seguida por São Paulo (R$ 9.242/m²).
As duas maiores cidades do país figuram bem acima da média nacional (R$ 7.394/m²).
No mês de agosto, a alta dos imóveis tinha sido de 0,37%. No ano, a alta acumulada é de 2,31%. Nos últimos doze meses o FipeZap avança 2,14%. A inflação, medida pelo IPCA, está em 2,44% no acumulado em 12 meses até agosto.
Segundo o coordenador da pesquisa, Eduardo Zylberstajn, diferentemente das outras crises, que tinham como reação uma elevação da taxa de juros, agora o cenário é de custo baixo para o crédito, o que favorece as vendas de imóveis:
"Observamos um cenário favorável para o mercado imobiliário com juros baixos, facilidade de crédito e programas de sustentação de renda que influenciam esse resultado. A pandemia trouxe uma mudança no desejo das pessoas em relação aos seus imóveis".
Além da capital federal e do Estado do Paraná, Florianópolis (+5,10%), Maceió (+4,22%), Belo Horizonte (+4,15%) e Campo Grande (+3,96%) também apresentaram aumentos expressivos.
O levantamento, desenvolvido em pela Fipe e pelo Grupo Zap, acompanha o preço médio de apartamentos prontos em 50 cidades brasileiras com base em anúncios da internet.
Rio segue o metro quadrado mais caroA cidade do Rio de Janeiro possui o metro quadrado mais caro do país. De acordo com o Índice PipeZap, um pedaço de um por um metro em um apartamento na capital fluminense custa em média R$ 9.347.
No bairro do Leblon, na Zona Sul, o custo do metro quadrado ultrapassa os R$ 21 mil. Já em Ipanema, em segundo lugar, a medida custa cerca de R$ 18 mil. Em seguida, vêm Gávea (R$ 15.805), Lagoa (R$ 15.409) e Jardim Botânico (R$ 14.572).
No outro extremo da régua encontram-se os bairros de Coelho Neto (R$ 2.502), Turiaçu (R$ 2.369) e Pavuna (R$ 2.209), na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Na Zona Oeste da cidade, as localidades de Paciência (R$ 2.428) e Guaratiba (R$ 2.265) também figuram nas regiões menos valorizadas.
Vitor Mihessen, economista e coordenador da Casa Fluminense, responsável pelo relatório Mapa de Desigualdades, avalia que a valorização dos imóveis está relacionado à infraestrutura disponível para o morador de cada bairro.
"O preço da moradia está muito associada às oportunidades que existem em determinada localidade. Paga-se mais caro para estar mais próxima daquela infraestrutura".
"A história do Rio e da ocupação, das áreas privilegiadas, concentrar os investimentos num modelo que se replica até hoje", afirma Mihessen que lidera a iniciativa Agenda Rio 2030, um conjunto de propostas de políticas públicas para a metrópole do Rio de Janeiro.
São Paulo (R$ 9.242), Brasília (R$ 7.889) e Balneário Camboriú (R$ 7.491) também aparecem entre as com preço médio do metro quadrado mais caro no período. Na outra
extremidade, Pelotas (RS), São José dos Pinhais (PR) e Betim (MG) possuem os valores mais baixos, R$ 3.535, R$ 3.489, R$ 3.114.
Assim como no Rio de Janeiro, a capital paulista também registra uma diferença de quase dez vezes entre o menor e maior valor por metro quadrado.