Em 23/06/1991 este jornal publicou artigo meu com o engenheiro iteano Paulo Tromboni sobre a ameaça do governo Collor em privatizar a Embraer para deixar de apoia-la. Esclarecíamos que não existia no mundo indústria aeronáutica, estatal ou privada, sem o apoio governamental.
E se ela viesse a ser privatizada que seguisse o modelo britânico, do governo liberal de Margareth Thatcher, que privatizou a British Aerospace com a pulverização do controle acionário e a criação da "golden share", a ação especial que atribui ao governo o controle de decisões vitais como mudança estatutária e objetivo societário.
Em 1994, já no governo Itamar Franco, a Embraer foi privatizada nos moldes britânicos, com a "golden share" possibilitando o veto à venda de seu controle nas tratativas com a Boeing. Isto não quer dizer que a Embraer, que nasceu da encomenda dos 100 aviões Bandeirante da FAB, não possa participar de "joint-ventures" no setor aeronáutico como já fez com a italiana Aermacchi e a americana Piper. Aliás, como fez a sua concorrente canadense Bombarbier com a europeia Airbus sem vender o seu controle.
Na década de 1970, jornalista de "O Estado de S.Paulo", perguntei ao engº Ozires Silva, presidente da Embraer, que celebrava parceria com a americana Piper para fabricação e venda de suas aeronaves, se não era perigoso entrar na jaula com o leão. Ele respondeu: "Temos de entrar sem ser engolido por ele!". É o que esperamos agora do Brasil que deu certo com a Embraer e a Boeing..