Brasil

Um a cada quatro brasileiros está em situação de insegurança alimentar, diz relatório da ONU

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 2 min
Campanha. Vacinação contra a fome, do governo paulista
Campanha. Vacinação contra a fome, do governo paulista

Um novo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, na sigla em inglês), lançado nesta segunda-feira, aponta o crescimento do número de brasileiros em situação de insegurança alimentar.

De acordo com o documento, um a cada quatro brasileiros (23,5%) passou por falta de comida de maneira moderada ou severa ao longo do biênio 2018-2020. A média é 5,2 pontos percentuais superior à média do biênio 2014-2016. Em números absolutos, 12,1 milhões de brasileiros começaram a integrar essa estatística quando são comparados os últimos 4 anos. Trata-se de um número comparável ao de habitantes da cidade de São Paulo, o maior município do país.

A agência classifica como insegurança alimentar a indisponibilidade de acessar comida, seja por falta de dinheiro ou recursos físicos e sociais, ao longo de um ano. O estudo também leva em conta a redução da qualidade e da quantidade de alimentos por não poder pagá-los, por exemplo. A mudança no padrão alimentar considerada pelo relatório é aquela que traz prejuízos à saúde e ao bem-estar do indivíduo.

A fatia do grupo em insegurança alimentar severa — patamar que mede o número de pessoas que passaram fome, com grave risco para a saúde — quase dobrou ao longo do mesmo período, saltando de 1,9% para 3,5%.

Este foi o primeiro anúncio sobre subalimentação e má nutrição divulgado pela agência desde o início da pandemia da Covid-19. Especialistas da agência afirmam que o efeito da pandemia quanto à falta de alimentação adequada foi "devastador".

"Considerávamos que essa geração seria a primeira a ver a erradicação da fome e da insegurança alimentar na América Latina. Agora, já não é mais possível fazer essa afirmação", diz Gustavo Chianca, representante adjunto da FAO no Brasil.

O mesmo trabalho ainda lista um panorama no mundo diante do pouco acesso à comida. O Brasil, de acordo com o relatório, tem indicadores melhores do que a América Latina, quando observada como bloco. O trabalho aponta para 33,1% da população latina em insegurança alimentar moderada ou severa. Na Europa a média é de 8,1% e na África 55,5%.

Em posição muito mais favorável está o Japão, com 3,4% da população em nível de insegurança alimentar de severo a moderado, sendo uma contagem inferior a 0,5% a quantidade de japoneses passando fome efetivamente. O Chile, na América do Sul, tem essas médias em 17,9%  e 4,3% respectivamente.

Alimentação na pandemia.

O mesmo documento aponta que os hábitos alimentares da população pioraram ao longo da pandemia da Covid-19. Há, por exemplo, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e com custo menor. 

Dados do UNICEF, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, citados pela agência de alimentação, apontam que 31% das casas brasileiras onde há crianças aumentaram o consumo de alimentos com alto processamento ao longo do período de quarentena. Nas casas onde há apenas adultos esse mesmo consumo teve alta, mas de maneira menos intensa, chegando a 18%.

Comentários

Comentários