A partir de segunda-feira, o estado entrará na triste (e inédita) fase emergencial do Plano São Paulo. Entre os dias 15 e 30 de março, estaremos sob as medidas mais duras de restrição desde o início da pandemia.
Essa medida é extremamente necessária, afinal estamos no pior momento da pior crise sanitária dos últimos 100 anos. E mais: ela já deveria ter sido adotada bem antes, e poderia ter sido ainda mais restritiva.
Ao menos desde fevereiro, médicos que integram o Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, grupo que assessora o governo estadual no combate à pandemia, defendem um lockdown por um período de, no mínimo, 10 dias. Os especialistas diziam, ainda no mês passado, que essa era a única alternativa para evitar um colapso no sistema de saúde em 15 dias.
Por motivos aparentemente políticos e econômicos, o lockdown não veio.
E o colapso chegou.
Apenas nos 10 primeiros dias de março, pelo menos 38 pessoas morreram na fila de espera por leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no estado. Nessa sexta-feira (12), último dia útil antes do início da fase emergencial, São Paulo registrou 521 óbitos, o maior número desde o início da pandemia. Já são 63,5 mil vidas perdidas no estado. O número de pacientes internados nessa sexta (22.555) era 47% do que o pico registrado em 2020.
Aumentar as restrições não é suficiente para combater o vírus, mas é essencial para reduzir o número de contaminados e de mortos enquanto a vacina não chega para todos..