Um resgate da São José artisticamente efervescente da década de 1960. Esse é o objetivo da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) no âmbito das artes plásticas. Uma proposta ousada e ambiciosa mas cujo primeiro passo já foi dado: o restauro e a catalogação das obras presentes no acervo municipal.
São, aproximadamente, 300 peças entre pinturas e esculturas, mais cerca de 100 gravuras. A maior parte das obras datam do período de existência da escola de Belas Artes (1960-1970) e do salões de Belas Artes (1960-1985). Verdadeiras relíquias históricas.
"Quando lançamos a proposta de retomar o Museu Municipal, percebemos que o acervo não estava armazenado de forma adequada. Obra de arte é como um recém nascido, tem de cuidar com zelo. Então, contratamos a museóloga Ana Silvia Bloise, que iniciou o trabalho de higienização e catalogação", afirmou Washington Freitas, coordenador dos museus.
De julho a dezembro, a primeira etapa foi finalizada. Agora as obras continuam passando por higienização, algumas terão de ser restauradas por causa da infestação de cupim e outros insetos, e duas tiveram de ser descartadas devido ao estado de deterioração.
"Neste ano, vamos continuar recuperando as peças - principalmente do acervo de cerâmicas, que tem muitas peças quebradas - e ampliar a catalogação, porque muitas dessas peças não têm seu histórico documental (como foi parar no museu, quem doou, em que estado chegou e etc)", continuou Freitas.
Metas.
O principal objetivo é incluir o Museu Municipal no Sisem (Sistema de Estadual de Museus) e catalogá-lo no Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). "Mas, para isso precisamos ter o nosso acervo devidamente registrado até para comprovar que ele existe", explicou Aldo Zonzini, presidente da FCCR.
"São entidades que, inclusive, disponibilizam recursos para o fomento da atividade museológica. E queremos que o nosso espaço seja referência no Estado de São Paulo, tal como foi nos tempos de outrora", adiantou.
Ainda segundo Zonzini, o prédio histórico localizado em área privilegiada em São José facilitará para que o museu torne-se atrativo turístico.
Turismo.
Num primeiro momento, duas exposições de longa duração (semestrais) e quatro de curta duração (trimestrais) estão na agenda. A FCCR planeja ainda realizar cursos e oficinas voltadas às artes plásticas, cineclubes e musica instrumental.
"Podemos ter mostras de outros artistas com obras que dialoguem com o acervo, intercâmbio entre galerias... Vemos um potencial enorme a ser explorado", concluiu Freitas..