Tem que ter força e disposição, mas é trabalho como outro qualquer. A frase é de dona Antônia que, aos 60 anos, empurra um carrinho para coletar materiais recicláveis em Guaratinguetá.
Ela vende o material diariamente para sustentar a si e a dois netos. A pele curtida de sol e as marcas no corpo dão a dimensão da dureza. Mas para ela, ser mulher não é empecilho. "As pessoas ajudam muito. Não tenho reclamação".
Em São José, um caminhão da coleta seletiva é conduzido apenas por mulheres, e faz sucesso nas ruas.
Começa pela motorista Karina Anderson, que já foi agente de trânsito e passou na seleção interna para motorista da coleta. "Dirigia máquinas agrícolas no campo. Dirigir caminhão não me assusta. Sempre incentivo minhas colegas a se capacitarem para o crescimento profissional", diz.
A coletora Bernadete Silva, 47 anos, está no caminhão há 11 meses. Ela diz que as mulheres dão conta. "As pessoas ficam surpresas quando vê a gente. É bacana conquistar esse espaço". Michele Silva, 31 anos, também coletora, já trabalhou um ano na varrição. "Trabalhamos bem mais do que os homens".
Para Eliane Lima, que completa o time, as pessoas se empolgam ao ver o caminhão das mulheres. "A gente se alegra e trabalha mais contente"..