Dia 31 de agosto de 1993. Logo depois de uma partida de futebol, disputada pelos presos no pátio da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté durante o banho de sol, um grupo de detentos se reúne para discutir a criação de uma espécie de sindicato do crime, que lutaria contra a 'opressão do sistema carcerário'. Nascia ali, depois daquela pelada, a organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), hoje a mais temida facção brasileira. E, prestes a completar 25 anos de existência, o grupo está presente em todo o país e até no exterior, operando como uma multinacional voltada para o cometimento de crimes, principalmente o tráfico de entorpecentes, seu carro-chefe -- mercado que movimenta altas cifras de dinheiro.
Em uma reportagem exclusiva, que está à página 2 desta edição, OVALE mostra que o PCC ordenou um mutirão para recrutar o 'maior número' de bandidos para as suas fileiras. O objetivo é ampliar o número de 'soldados' do crime, em um momento em que a facção está em guerra com grupos rivais, e também os seus altos lucros, obtidos graças à venda de drogas, roubos, sequestros e outros crimes.
O 'salve' foi detectado por forças de segurança que monitoram a atuação do PCC e vale para todas as regiões. No entanto, para a 'Sintonia 012' (como a RMVale é chamada pelo grupo), a cúpula da facção ainda fez uma cobrança extra, por considerar que hoje essa área está rendendo menos lucro do deveria. Uma cobrança de produtividade do crime.
A expansão do PCC demonstra que o crime organizado, na lacuna do Estado, precisa ser combatido com todas as armas, principalmente a inteligência policial. É preciso que a segurança pública torne-se, verdadeiramente, uma prioridade no país.
Se no ano de 1993 o PCC era uma grupo de presos depois de uma partida de futebol, em 2018 esse jogo está longe de acabar. E o poder público está atrás, bem atrás do placar..