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'Fluxos do funk' migram no Vale para driblar cerco da fiscalização

Por Danilo Alvim e Julia Carvalho@jornalovale |
| Tempo de leitura: 3 min
EMBATE. Fluxos geram conflito entre moradores, polícia e organizadores
EMBATE. Fluxos geram conflito entre moradores, polícia e organizadores

Os 'fluxos do funk', os bailes proibidões famosos pelo livre consumo de drogas (inclusive por adolescentes) e ainda pelo som alto, estão migrando para tentar driblar a fiscalização do poder público nos municípios da RMVale.

Os pancadões estão deixando as ruas e seguindo para chácaras. A mudança desafia a ação da Polícia Militar, que propôs alterações na legislação para aplicar multas aos responsáveis por imóveis onde acontecem as festas. Também já houve registro de mortes em fluxos na região.

Essa migração dos fluxos foi confirmada por OVALE junto a organizadores de alguns dos principais fluxos de São José dos Campos, além da própria PM. Só na cidade, atualmente, são cerca de 50 'marcas' diferentes de bailes, cada uma delas com sua organização.

É a 'indústria' do pancadão. "Tiro R$ 3.000 em cada festa, com todas as contas já pagas, como aluguel da chácara, segurança, as bebidas, entre outros gastos", afirmou um dos organizadores de fluxos mais famosos da cidade, que falou com OVALE com a condição de não ter o nome revelado.

MIGRAÇÃO

A migração das ruas para as chácaras, segundo os organizadores, foi feita por causa da fiscalização, que foi intensificada. "Paramos de fazer na rua e no bairro porque a polícia não deixava, e agora mesmo na chácara está tendo problema", disse o organizador.

O capitão Wagner Lima, que é comandante da 3ª companhia da PM, afirmou que as denúncias são fundamentais. "Eles [organizadores] procuram locais que não tem ordenamento público. Descobrem novos espaços vazios e fazem a migração do fluxo. No caso da avenida Anchieta [palco frequente de fluxo], por exemplo, a gente começou a ocupar os espaços e minimizou o problema", disse ele que criou um grupo nas redes sociais com lideres de bairros que alertam sobre datas e locais de fluxos.

Hoje, a lei de pertubação do sossego penaliza só estabelecimentos comerciais, o que dificulta a ação da PM nas chácaras. A PM enviou uma proposta à Câmara propondo emendas na lei, com o intuito de deixar a abordagem mais eficaz. "A gente sabe que mexendo no bolso temos como intimidar", disse o capitão..

Polícia frustra baile com 3.000 pessoas em chácara na região leste de São José

A Polícia Militar frustrou um baile funk no último final de semana com mais de 3.000 pessoas em uma chácara da zona leste de São José dos Campos. A chegada dos policiais aconteceu após denúncias de vizinhos. "Não deu nem 2h, a polícia chegou no portão e acabou com o baile", disse o organizador.

Em festas desse porte, segundo o organizador, ele consegue tirar cerca de R$ 5.000. O preço mais acessível em fluxo na comparação com casa noturna é um dos segredos do sucesso entre os frequentadores."Para ir em uma casa noturna hoje é R$ 30 para entrar. No nosso é R$ 10 e mulher é de graça a noite inteira", explicou.

A intenção dos organizadores dos bailes é regularizar a prática. "Queremos o alvará para ter nosso espaço", disse.

Barulho do fluxo tira sono de moradores que cobram ações policiais mais efetivas

Noites sem dormir. O fluxo do funk desperta a ira de moradores que não conseguem pegar no sono por conta do barulho da música alta. Os fluxos têm sido rotina semanal do bairro Urbanova, zona oeste de São José dos Campos. "Esse som dá a impressão que está dentro do quarto. Não consigo dormir em hipótese alguma. Você trabalha o dia todo e não consegue descansar", protestou Jorge Dimas, morador do bairro há mais de 20 anos.

Sempre que há fluxo na região, Dimas liga para o 190. Ele revelou que outros moradores do bairro localizado na área nobre de São José já fizeram boletim de ocorrência diversas vezes, mas nenhuma providência foi tomada. "A PM diz que tem outras prioridades, mas isso deve ser prioridade. Os moradores não aguentam mais", disse.

Além do barulho, a letra das músicas incomoda Dimas, que a considera 'ofensiva'. "Uma baixaria que você não consegue nem imaginar. Quando você chega lá, a visão é do horror. Não deixaria jamais uma filha minha ficar ali", afirmou.

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