Preso há 20 anos com o status de ser “o mais procurado do Vale do Paraíba”, após impor um império de terror construído à base de cocaína, pólvora e sangue, o traficante Sérgio da Silva Santos, o “Serjão”, mantém viva a sua forte influência na Santa Cruz, comunidade localizada no coração de São José dos Campos.
Informações de fontes policiais apontam que o criminoso, que estaria preso em uma unidade prisional na região de Presidente Venceslau, arrendou os pontos de venda de drogas -- as chamadas “biqueiras” -- da Santa Cruz para o PCC (Primeiro Comando da Capital), mas ainda teria voz ativa na comunidade.
Serjão ganhou notoriedade no crime pelo uso da violência, que lembrava o regime de terror imposto por traficantes cariocas, e pelo “assistencialismo” na comunidade -- comprava tênis para adolescentes, pagava gás e remédio para moradores, etc.
No início da noite desta última segunda-feira (13), vândalos incendiaram carros, promoveram arrastões e tentaram invadir prédios públicos na área, situada próxima ao Paço Municipal e à Câmara, em protesto contra a morte de um jovem conhecido pelo apelido de Tubarão, baleado em um confronto com policiais militares.
A região da avenida Teotônio Vilela, a Fundo do Vale, se transformou em uma verdadeira zona de conflito, com cenas de terror e caos no centro de São José. Policiais militares e guardas municipais foram acionados.
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DRIVE-THRU.
O movimento perto das vielas, becos e esquinas é intenso. O ‘drive-thru’ da droga opera 24 horas por dia, todos os dias da semana, com soldados do tráfico divididos por turnos, cada um deles com ‘vapores’, ‘olheiros’, ‘caixa’ e ‘gerente’.
O valor das ‘lojas’ (ou ‘boca’ ou ‘biqueira’) varia segundo critérios como, por exemplo, localização geográfica e o movimento (se é perto de um bar, escola, por exemplo, tem valor mais alto, etc), chegando até às cifras milionárias.
O entorpecente, em geral, tem como fornecedores quadrilhas da zona leste de São Paulo e é produzido em países vizinhos, como Paraguai, Peru e Bolívia, entrando no Brasil pela fronteira do Paraná e Mato Grosso do Sul.
A RMVale, localizada entre São Paulo e Rio de Janeiro, dois maiores mercados de drogas, é considerada um ‘corredor’ para o escoamento de entorpecentes e também de armas.
ESTADO PARALELO.
Com o uso de uma espécie de rede de ‘franquias’, as ‘lojas’, o PCC lucra milhões de reais, segundo investigações do Ministério Público. Além de atuar no varejo, com a venda direta para o usuário de droga, o PCC também é fornecedor e controla o mercado, buscando monopolizar o tráfico de crack, cocaína e maconha nas ruas.
“É crucial lembrar que todas as lojas (...) recebem o entorpecente única e exclusivamente do PCC. Assim, é importante imaginar, a título de exemplo, que as lojas do PCC não passam de franquias que só vendem o produto fornecido pelo PCC”, diz trecho de acusação apresentada pelo MP em 2017.
Com abrangência internacional, o PCC mantém a mesma estrutura em todas as áreas de atuação, incluindo a ‘012’ -- referente ao Vale do Paraíba, região que é o berço da facção. Em seus territórios, o PCC tem a sua própria lei.
SERJÃO.
O traficante foi preso em 28 de abril de 2001 por policiais civis em Rio das Ostras (RJ), ao lado de outros três homens e quatro mulheres. Serjão estava foragido desde o dia 14 de dezembro de 2000, quando havia sido resgatado da penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos.
Um dos crimes mais marcantes envolvendo o traficante teve como vítimas Juanita Carneiro dos Santos e Michelle Fernanda Martuscelli. Elas foram torturadas e mortas por criminosos ligados a Serjão. Ainda naquele ano, outros dois corpos foram encontrados em uma casa alugada por em Santa Branca.