Ataque de Tubarão

Especialista diz que aumento de turistas e chuvas podem ter causado ataques de tubarão em Ubatuba

Por Douglas Cruz |
| Tempo de leitura: 2 min
Lesão causada por tubarão de médio porte (tigre ou cabeça-chata) em turista de 79 anos, em Ubatuba
Lesão causada por tubarão de médio porte (tigre ou cabeça-chata) em turista de 79 anos, em Ubatuba

Após os dois ataques de tubarão, relatados no mês de novembro em Ubatuba, especialista reafirma que os casos são raros, mas que as mudanças climáticas e o aumento de turistas podem influenciar incidentes deste tipo.

O primeiro ataque ocorreu no dia 3 de novembro, com um turista francês na Praia do Lamberto e o segundo ocorreu no dia 14, com uma idosa de 79 anos na Praia Grande. Ambos ocorreram durante feriados prolongados, após o fim das restrições nas praias do Litoral Norte paulista.

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De acordo com Hugo Gallo Neto, oceanólogo, presidente do Instituto Argonauta e diretor do Aquário de Ubatuba, os casos ainda são considerados fenômenos e não um novo padrão, mas podem estar relacionados ao aumento de turistas e também a mudanças climáticas.

“Quando coincide um feriado, pós-pandemia, com um altíssimo número de pessoas na água, uma água que estava turva e até com uma temperatura um pouco mais fria do que o normal, isso pode aumentar a chance destes encontros”, disse.  

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O pesquisador afirma que os tubarões são animais que precisam se aproximar de suas presas para reconhecê-las. Nos dois casos, os laudos apontaram que os animais confundiram as vítimas com alimentos, “uma vez que o animal não removeu /engoliu tecidos”.

Hugo relata que a movimentação turística no Aquário de Ubatuba foi 40% maior este ano, do que em 2019. Ele alega que os tubarões sempre foram notados na costa de região, mas que recentemente animais marinhos de grande porte, como as baleias, também estão sendo vistas se alimentando no Litoral Norte.

“A gente nota que nos últimos cinco anos, houve um aumento da temperatura ao largo da costa de São Paulo. Com isso, percebemos as baleias muito mais próximas da região, elas estão se alimentando, atrás de cardumes peixes grandes e etc”, disse.

Fazendo relação com os casos, o presidente do Argonauta afirma que o primeiro ataque, ocorrido com um turista francês, evidência a teoria.

“No caso do turista francês isso foi muito claro. Ele nadava na costa quando percebeu um cardume de paratis, em seguida ele recebeu a mordida”, disse o pesquisador.

Por fim, o oceanólogo ressalta que as chances de ser atacado por um tubarão são mínimas, uma vez que em 2020 foram registradas 10 mortes causadas pelo animal em todo mundo, enquanto 40 mortes foram ocasionadas por águas vivas, animais que também se encontram em nosso litoral.

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