Crime

Padre de Minas Gerais é acusado de assédio sexual e moral

Por Maria Luiza Machado |
| Tempo de leitura: 2 min
Padre Ernani Maia dos Reis, ex-líder do Mosteiro Santíssima Trindade
Padre Ernani Maia dos Reis, ex-líder do Mosteiro Santíssima Trindade

O padre Ernani Maia dos Reis, líder do Mosteiro Santíssima Trindade, localizado em Monte Sião, Minas Gerais, foi procurado por um monge que gostaria de confessar um conflito interior entre sua vocação religiosa e o desejo de constituir uma família.

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Segundo uma entrevista cedida ao portal UOL pelo monge, que não quis ser identificado, diante da confissão Ernani teria respondido: "Mas você é gay, casar para enganar uma moça, mentir pra ela uma vida inteira? Porque você é gay".

No relato, a vítima também afirmou que o padre pegou uma de suas mãos e levou até o próprio pênis, enquanto dizia: "Você tá precisando disso aqui, de pinto".

O monge afirmou que a cena descrita aconteceu em 2016, e que esses tipos de ocorrido eram comuns. O veículo recolheu relatos de 40 pessoas, e elas apontaram que Ernani violentou e assediou sexualmente, ao menos, oito monges. As vítimas tinham de 20 a 43 anos quando os abusos começaram.

Os relatos também apontaram que o padre assediou moralmente 11 pessoas que viviam no mosteiro, além de constantes humilhações e agressões verbais. Desses, 10 vítimas são mulheres. De acordo com os entrevistados, os crimes aconteceram pelo menos, de 2011 a 2018, ano que ele se afastou do mosteiro.

DENÚNCIAS

A Igreja Católica teve conhecimento dos relatos dos crimes por meio de investigações internas, mas o padre só foi afastado quando o mesmo pediu para sair, na época, ele alegou “cansaço” e “crise vocacional”.

Não existem registros que o líder religioso tenha recebido qualquer punição da Igreja Católica, que chegou inclusive, a enviá-lo por seis meses a uma casa de acolhimento para sacerdotes.

O padre Ernani Maia dos Reis nega todas as acusações e se recusou a responder às perguntas feitas para a construção da reportagem do UOL. Porém, a Igreja Católica afirmou que nunca negou qualquer fato quando o padre exercicia a liderança na comunidade.

“Foram constituídas auditorias, comissões de apuração em várias esferas de acompanhamento, sendo as respectivas comunicações, diretas aos representantes legais superiores (Nunciatura e Santa Sé).  Nunca houve qualquer omissão nesse sentido”, dizia ainda o e-mail”.

Ainda assim, a Igreja Católica não respondeu sobre as conclusões que resultaram das investigações internas e não esclareceu as medidas tomadas em relação aos relatos de crimes sexuais cometidos pelo padre.

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