Educação

Foco e atenção: Como motivar alunos na sala de aula

Por Tamires Vichi |
| Tempo de leitura: 3 min

A palavra motivação tem origem no latim e significa mover, sair do lugar, o contrário do que fizemos durante boa parte da pandemia do coronavírus em muitos aspectos. A missão era a de nos movermos o mínimo possível, permanecer em casa e esperar. Mas ao mesmo tempo em que boa parte da população fazia o seu melhor para cumprir com as normas de distanciamento social e segurança sanitária, outras áreas da vida humana que, à princípio, não deveriam, também foram se atrofiando e perdendo a mobilidade, um exemplo: a vontade de estudar.

Internet ruim, falta de espaço ou equipamentos eletrônicos, barulhos dos familiares, distrações… Os desafios foram muitos, mas além das questões técnicas, o ensino durante pandemia também afetou psicologicamente muitos jovens e crianças, afinal, o país ultrapassou 600 mil casos de mortes, e se os mais novos não eram as maiores vítimas do terrível vírus, aqueles que eram seus responsáveis, fontes de segurança e amor, corriam os riscos. Perdas e mortes fizeram parte de muitas casas.

Como manter a sanidade, concentração e motivação com um mundo em pandemia? Instituições de ensino, professores, pais, mães, avós e mesmo os próprios alunos tiveram de usar todo o conhecimento e criatividade para tentar manter alguma rotina de estudos. E a Porvir, organização autônoma e sem fins lucrativos, que faz estudos, mapeia e fomenta conhecimentos na área de inovações educacionais no país com o objetivo de apoiar transformações positivas em instituições de ensino brasileiras, trouxe pontos importantes para não deixar a motivação cair.

Em uma de suas publicações, a Porvir compartilhou informações do professor Dennis Shirley da Boston College, EUA, que desenvolve pesquisas em larga escala e coloca em prática ações de intervenção nas redes de educação. De acordo com o especialista, 50% dos alunos não costumam se engajar nas aulas e isso se deve ao fato das inúmeras distrações encontradas no dia a dia, entre elas, dispositivos eletrônicos como os celulares.

O Porvir elenca, então, os 5 caminhos listados por Dennis Shirley para motivar jovens e crianças em seus estudos. O primeiro ponto citado é não deixar que estudantes percam o encanto pelas aulas e isso pode ser feito quando os interesses dos alunos estão presentes. Trazer os filmes, músicas, desenhos, jogos, livros, esportes, personalidades que são populares entre os jovens para a sala. Não adianta falar sobre bolinha de gude se as crianças querem ouvir sobre League of Legends.

O próximo ponto é a conexão entre aula e vida real. Pode ser difícil explicar física, mas quando o professor usa exemplos como o motivo de não podermos ficar embaixo de árvores isoladas quando está chovendo, pois correremos sérios riscos, a sensação de urgência e de aplicação na vida real cria associações nas mentes dos alunos que, com certeza, irão reter aquela informação.

O terceiro caminho para a motivação é garantir que os alunos se sintam incluídos, sejam parte integrante da turma. A exclusão e o bullying podem ser um altíssimo desestimulante para que jovens e crianças continuem dedicados e engajados. Educadores podem e devem sempre falar sobre respeito, a importância das diversidades e fazer com que todos se sintam acolhidos no grupo.

No quarto passo, estudantes precisam ter voz em sala de aula, precisam sentir que estão no mundo, que fazem parte dele e que suas ações geram mudanças. As aulas precisam envolver dinâmicas, atividades e debates em que as crianças e jovens possam expor seus conhecimentos e opiniões, sabendo que podem fazer a diferença no mundo e que suas escolhas importam, e claro, sempre criando um ambiente de respeito e acolhimento para interações.

Por fim, o último caminho listado por Dennis Shirley é a maestria. Nada é mais empolgante do que se descobrir bom em alguma coisa, e mais, se apaixonar por alguma atividade. A escola precisa ser um grande espaço para o autoconhecimento, descoberta de habilidades e desenvolvimento. Quando o aluno percebe que consegue despertar a sensibilidade das pessoas através de suas redações, levando compreensão ou entender o procedimento para a criação de uma vacina e acreditar que, um dia, ele também pode desenvolver curas para doenças da humanidade, algo grande cresce dentro desse indivíduo, que começa a olhar para o aprendizado como um caminho para a vida.

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