Segurança Pública

Delegados de São Paulo vão iniciar 2022 com o pior salário do Brasil, aponta sindicato

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Polícia Civil
Polícia Civil

O delegado da Polícia Civil paulista vai começar 2022 recebendo o pior salário da categoria entre todos os estados da federação. O levantamento é do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo).

O valor pago pelo governo estadual é de R$ 10.382,48 mensais. Como comparação, em Mato Grosso, um delegado inicia a carreira com remuneração mensal de R$ 24.940,13.

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Os valores fazem parte do ranking salarial elaborado anualmente pelo Sindpesp com levantamento de dados concluído na primeira semana de dezembro.

As informações salariais foram levantadas em todos os estados da federação, com informações de portais da transparência, setores de recursos humanos das secretarias de segurança e diários oficiais.

Para o Sindpesp, o resultado aponta a “desvalorização da segurança oública paulista, em um desmonte que ocorre há mais de 20 anos por parte do Governo do Estado, mas se acentuou de forma vertiginosa na gestão [João] Doria”.

“Durante toda a gestão do governador João Doria, a Polícia Civil recebeu um único aumento salarial, de 5%, no final de 2019. No mesmo período, a inflação ficou acima de 19%. O orçamento paulista desse ano foi de mais de R$ 240 bilhões e São Paulo é disparado o estado mais rico da federação”, disse a delegada Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindpesp. “Estados com capacidade financeira infinitamente menor valorizam seus policiais”.

Os salários de investigadores e escrivães também colocam São Paulo entre os piores salários da federação, com valor inicial de 3.931,18.

Durante sua campanha em 2018, o candidato Doria prometeu que os policiais paulistas seriam os mais bem remunerados do país, compromisso reiterado já no cargo de governador.

“O governador joga a responsabilidade da falta de valorização salarial sobre o Governo Federal, mas a legislação é clara ao apontar que, cumpridos critérios financeiros, ele pode conceder o aumento para os policiais”, disse Raquel.

“E o próprio Doria afirma que o estado tem superávit financeiro, então ele tem condições econômicas e legais de pagar melhor sua polícia e cumprir sua palavra.”

SOBRECARGA

Além da remuneração mais baixa do Brasil, segundo o Sindpesp, a Polícia Civil paulista vive hoje a pior crise de efetivo da sua história. Desde 2017, o sindicato divulga mensalmente uma ferramenta chamada Defasômetro, que mostra os cargos existentes na Polícia Civil por carreira e quantos estão efetivamente ocupados.

Em dezembro de 2021, o Defasômetro apontou o número recorde de 15.219 cargos vagos na Polícia Civil, o que representa uma falta de mais de 36% do efetivo necessário, de 41.912 policiais.

“Trabalhamos com recursos humanos muito abaixo do número ideal, o que causa sobrecarga de trabalho, estresse e reflete diretamente na qualidade da segurança pública para o povo paulista. Pelo descaso do Governo, a população do Estado de São Paulo está à mercê da criminalidade, apesar dos esforços do efetivo da Polícia Civil. Não temos condições para fazer o trabalho que a população de São Paulo merece, que é um trabalho de excelência”, afirmou Raquel.

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