Crise na Itapemirim

Frota em operação dada como garantia pela Itapemirim a São José não está registrada na ANTT

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 2 min
Ônibus. Transporte público em São José dos Campos
Ônibus. Transporte público em São José dos Campos

Além das finanças duvidosas do Grupo Itapemirim, que está em crise e cada vez mais enrolado em escândalos, OVALE apurou junto a fontes do setor rodoviário que a Itapemirim não atestou que tem experiência na prestação de serviço de transporte coletivo na licitação em São José dos Campos.

A empresa venceu os dois lotes de operação e terá que assumir o novo sistema de transporte coletivo em São José dos Campos a partir de 15 de maio.

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O edital previa que cada concorrente comprovasse a operação de frota mínima de 253 ônibus, como medida para a qualificação técnica.

A Viação Itapemirim atestou a Itapemirim Group para a operação de 113 veículos. No entanto, nenhum destes veículos está registrado na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), como determina a legislação.

A Viação Kaissara, marca fantasia do Grupo Itapemirim, atestou frota operante de 145 veículos que também não estão devidamente registrados. Nem mesmo há registro de motoristas que operassem tais veículos.

FROTA

Em ambos os atestados, as empresas indicam que as respectivas frotas teriam começado a operar no mesmo dia, 1º de março de 2021, portanto poucos meses antes da licitação em São José dos Campos, o que levanta suspeita.

Além disso, o valor dos contratos resulta em cerca de R$ 1.300 de valor para cada ônibus por mês. Segundo analistas do mercado rodoviário, tal valor não cobre as despesas de um veículo coletivo desse porte.

“A conclusão é que a empresa também não estava habilitada sob o ponto de técnico, de acordo com as normas do próprio edital”, apontou a Fetpesp (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo) em ofício enviado à comissão de licitação de São José dos Campos.

“A frota e experiência constantes dos atestados é, em síntese, absolutamente inexistente, se tratando os documentos apresentados na proposta da licitante, portanto, comprovadamente inválidos ou falsos.”

Procurada, a Itapemirim não comentou o assunto.

DOSSIÊ

A reportagem faz parte do 'Dossiê Itapemirim', série de reportagens que OVALE publica sobre a crise da empresa que venceu a licitação do transporte coletivo em São José.

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