Com 23 anos trabalhando na Prefeitura de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira é o atual vice-prefeito e secretário de Governança e está próximo de assumir seu maior desafio: comandar a maior cidade do Vale do Paraíba.
Caso o prefeito Felicio Ramuth (PSD) decida concorrer ao governo do estado de São Paulo, terá que renunciar ao cargo até 31 de março deste ano, abrindo a vaga para Anderson tornar-se prefeito da cidade com três anos de mandato à frente.
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“É muito mais desafiador, mas também uma oportunidade única, com grande responsabilidade”, disse Anderson, que começou na administração de São José em 1999, na gestão de Emanuel Fernandes (PSDB).
“O Felicio indo para um desafio no estado, eu tenho mais responsabilidade ainda de continuar o trabalho que ele vem fazendo. Mas uma coisa que me deixa tranquilo é que não é só minha, é uma responsabilidade de um grupo de pessoas, é de um time que está fomado aqui na prefeitura.”
Anderson disse que assume o compromisso de manter a cidade “sendo muito bem cuidada” e buscando ainda mais protagonismo, característica de São José que acabou levando ao convite do presidente do PSD, Gilberto Kassab, para a candidatura de Felicio.
O vice-prefeito afirmou que Felicio entra com força na disputa se decidir concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.
“Não, não acredito que ele consiga ser a terceira via, acho que é a primeira via. É uma bela de uma bagagem, de experiência, de gestão pública. Sem puxar para o meu bairro, sem ser bairrista, ele tem uma grande capacidade”, afirmou.
“Tenho um pouco de conhecimento do que ele [Felicio] tem dentro da cabeça, o que pensa, o que pode fazer para o estado de São Paulo em gestão pública. Ele tem um zelo com a questão pública. Eu não tenho dúvida de que ele não é a terceira via não, é a primeira. Pode ter certeza disso.”
Sobre a saída do PSDB, mesmo tendo sido presidente do partido em São José, Anderson disse que havia uma insatisfação com a legenda “desde há algum tempo”.
“O PSDB sempre foi uma grande ilha, diferente aqui de São José. Ultimamente, com a nova gestão do PSDB no estado, isso acabou nos deixando insatisfeitos da forma do tratamento.”
Anderson disse que foram “vários fatores” que pesaram na decisão e não a discordância de uma única pessoa. “Foi do ponto de vista de conduta mesmo, da forma como fazer política, de como fazer uma convenção, como estipular uma prévia, um debate dentro de uma prévia. Enfim, são vários fatores”.
No entanto, ele não foge de admitir que o maior embate foi com o governador João Doria (PSDB).
“Do ponto de vista de dentro do partido, politicamente, sim. Tem essa questão da decisão de ‘traz quem eu quero, traz quem me beneficia e não quem beneficia o grupo’, atitudes desse tipo”, disse Anderson.
E vai mais longe: “A pandemia foi o foco principal. O prefeito pediu para que o Estado desse autonomia às prefeituras que tinham capacidade. Então, não adiantava nada que um dado negativo lá de Araraquara decidindo que São José tinha que fechar, tinha que mudar de fase”.
“Então, essas questões deixou o Felicio nesses embaraços com o governo do estado. Isso foi muito ruim, quando ele [Doria] fez essa centralidade no governo sem conversar com absolutamente ninguém e nem agir, porque você não conversar é uma coisa, mas ele foi procurado.”
Para o vice-prefeito, a conduta centralizadora de Doria durante a pandemia, não permitindo que São José tomasse as próprias decisões, fez estragos “do ponto de vista financeiro, econômico, de geração de emprego, até de saúde pública”.
“Enfim, são vários fatores que foram deixando um pouco a desejar, onde o PSDB deixou de ter algumas condutas como partido que tinha na sua história.”
TROCA DE PARTIDO
Anderson calcula que cerca de 200 pessoas ligadas ao PSDB em São José migraram para o PSD, movimento capitaneado por ele e pelo prefeito Felicio Ramuth. “Algumas pessoas nos procuram, nos encaminham, informando. Muitas dessas decisões foram até voluntárias”, contou.
Segundo ele, não houve um processo de “sair todo mundo”, mas que “todo mundo ficou muito bem à vontade” para tomar a decisão. “Mesmo porque há pessoas que nem de lá podem sair e nem devem. Alguns vereadores que têm mandato. As pessoas filiadas ao PSD estão em torno de 200 nas últimas semanas”.
Respondendo ao “aceno do PSD”, Anderson não vê possibilidade de o partido apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, o que poderia causar desconforto nos ex-tucanos. “Tem essa especulação muito grande, mas o PSD está bem decidido com seus candidatos”.