A chegada da variante Ômicron do coronavírus ao Vale do Paraíba multiplicou os casos de Covid-19 a ponto de 2022 já ter superado todos os diagnósticos positivos de 2020.
O novo ano vai completar 90 mil diagnósticos positivos para a doença em pouco mais de 40 dias, recorde absoluto de toda a pandemia e 22% da totalidade da região.
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Trata-se de um número superior ao total de casos confirmados de Covid-19 em 2020, primeiro ano da pandemia. Em 289 dias de disseminação do coronavírus, a região anotou 76,1 mil contaminados, 18,2% do total de infectados.
A média de casos diários em 2022 é de 2.210 novos infectados contra 695 em 2021 e 263 em 2020. Ou seja, neste ano, em apenas dois dias, a região tem mais casos do que registrou em todo o mês de dezembro do ano passado -- 3,4 mil.
Com a chegada da nova variante, as aglomerações de final de ano e a queda dos cuidados sanitários, como distanciamento e uso de máscara, impulsionaram a pandemia em 2022 como nunca se tinha visto na região.
Até então, o mês mais contagioso havia sido janeiro de 2021, com 38,3 mil casos confirmados. Janeiro de 2020 bateu em 67 mil infectados e fevereiro já acumula 21,3 mil em apenas nove dias, quase três vezes o total de casos em janeiro do ano passado na mesma época (8,2 mil).
O número de mortes também preocupa. O novo ano acumula 455 óbitos, média de 11 por dia, que é superior ao índice de 2020 (média de 6 mortes diárias) e se aproxima do de 2021 (15 óbitos por dia).
“A pandemia ainda não está controlada e todos têm que fazer a lição de casa, que é se vacinar e tomar todos os cuidados sanitários. Vivemos uma epidemia de não vacinados”, disse João Gabbardo, médico e coordenador do Comitê Científico de São Paulo.
De acordo com levantamento do Comitê Científico, cerca de 80% das pessoas que estão internadas em enfermaria e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neste ano por Covid não tomaram nenhuma dose das vacinas contra a doença ou estão com o ciclo vacinal incompleto. As demais têm comorbidades graves.
Segundo Gabbardo, o trabalho de combate ao coronavírus ainda exige muita atenção de todos.
“Orientação do Comitê é a mesma. Recomendamos que todas as aglomerações sejam evitadas. Fato de reduzir a internação não nos dá a mínima condição para colocar novamente a população em risco”, afirmou.