Pós-Covid

Especialistas falam sobre saúde mental, física e capilar no pós-Covid

Por Tamires Vichi |
| Tempo de leitura: 5 min
Especialistas falam sobre saúde mental, física e capilar no pós-Covid
Especialistas falam sobre saúde mental, física e capilar no pós-Covid

Saiba dos últimos estudos e orientaçõesApós 2 anos do início da pandemia do coronavírus no Brasil, mais de 30 milhões de casos positivos, a grande perda de mais de 661 mil vidas e 76% da população brasileira completamente vacinada, começamos a ver uma grande queda no número de contágios do vírus, assim como de vítimas fatais e as especulações sobre uma nova fase pós-Covid já começa a ganhar força.

Neste momento, com a volta de uma rotina mais próxima do que a sociedade considera “normal”, sem a necessidade do uso constante de máscaras em diversos espaços públicos e a liberação para realização de festas e eventos com aglomeração, especialistas falam sobre algumas das consequências da Covid-19 para a saúde humana, a níveis mentais e físicos. Já é possível olhar para o passado, analisar dados e construir estudos para conscientizar a população neste novo cenário.

Saúde Mental: O aumento da ansiedade

O psicólogo Fernando Ferreira explicou à reportagem de OVALE que a ansiedade foi um protagonista durante a pandemia.

“Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) publicado nos mês passado, relatou que pacientes que se recuperaram da doença desenvolveram déficits cognitivos e prevalência de depressão e ansiedade”.

No entanto, a ideia aqui não é apontar apenas o lado negativo, mas alertar que a saúde da mente pode ser resgatada com o auxílio de profissionais.

“Hoje, a psicologia trabalha não apenas com práticas teóricas de conceitos, mas também com linguagens corporais que podem ser desenvolvidas e aplicadas durante um tratamento. O ansioso pode controlar sua ansiedade e ter uma vida tranquila”, explica o psicólogo.

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A queda de cabelos foi um problema muito crescente em meio à pandemia da Covid-19. Além do estresse, fator que pode ocasionar o aumento da perda dos fios, o dermatologista em saúde capilar, Leopoldo Dualibe explicou que houve um aumento significativo de casos de queda de cabelo após pessoas serem infectadas pelo coronavírus.

“Vemos, principalmente, nos casos mais graves, mas também pode ocorrer nos casos leves, ou seja, com menos sintomas. No início da pandemia os casos eram mais intensos e a queda de cabelo era mais frequente também”, contou o dermatologista, que também explicou as causas do problema.

“A queda de cabelo pós- Covid é do tipo Eflúvio Telógeno. Esse tipo de queda de cabelo ocorre pelo estímulo de algum fator desencadeador. Há inúmeras causas, dentre elas: anemia, disfunção da tireóide, cirurgia, ou mesmo um processo infeccioso como a Covid”.

Leopoldo Dualibe conta que cada pessoa possui um padrão para a queda de fios, por isso é importante observar se o aumento permanece por semanas seguidas, se a resposta for sim, é preciso buscar um dermatologista para que o tratamento seja feito. Para recuperar a saúde capilar e o volume dos fios, o especialista explica:

“O primeiro passo é diagnosticar adequadamente o tipo de queda de cabelo. Se for concluído que é por Covid, o cabelo tende a recuperar-se naturalmente com o tempo. A duração da queda pode ser de 3 a 6 meses”. Caso a perda permaneça, é possível que o paciente tenha mais de um tipo de queda de cabelo, como a Alopecia Androgenética (calvície).

Pratica de exercícios físicos aumenta a eficácia da vacina contra Covid-19

Em meio aos estudos sobre o aumento da ansiedade e a queda de cabelos, outra pesquisa com dados muito interessantes foi desenvolvida, desta vez, sobre a eficácia da vacina. A pesquisa divulgada pela Universidade de São Paulo acompanhou 748 pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e comprovou que praticar exercícios físicos melhora a eficácia da vacina contra o coronavírus.

De acordo com os pesquisadores, pacientes que praticavam atividade física regularmente tinham uma melhor resposta imunológica à vacina, o que foi comprovado, pois após seis meses da vacinação completa, eles apresentavam mais anticorpos contra o coronavírus do que pessoas que não faziam exercícios.

Tati Godoi, especialista em saúde e emagrecimento, explicou sobre a importância de uma vida ativa para maior proteção.

“O exercício físico melhora a resposta imunológica e ajuda a diminuir a inflamação do nosso organismo. Isso significa que nosso organismo além de se tornar mais forte e mais resistente às doenças, também tem o poder de se recuperar mais rapidamente porque os soldadinhos de defesa estão mais fortes e trabalham com mais eficiência e eficácia”.

A especialista também enfatizou que mesmo aqueles que não possuem o hábito de praticar exercícios podem ter uma melhor resposta do sistema imunológico ao coronavírus se já começarem a ter uma vida mais ativa.

“Tratando-se de exercícios físicos, independente do momento, pós-vacina, tendo sido infectado pelo vírus ou não, ter um estilo de vida ativo é muito importante e ter acompanhamento de um profissional de educação física capacitado é essencial. O exercício físico ajudará a fortalecer todo sistema musculoesquelético, especialmente os músculos respiratórios, que são diretamente impactados pela Covid-19. Mesmo após tomar a vacina ou mesmo se o indivíduo já tiver contraído a doença, o exercício físico será benéfico para ajudar a fortalecer esses músculos e aumentar o sistema imunológico ou para recuperá-lo”, explicou Tati Godoi.

Vale reforçar que todas as práticas que envolvem a movimentação do corpo são positivas, mas é preciso de atenção para a intensidade.

“Todos os exercícios são bem vindos e são importantes para aumentar o nosso sistema imunológico. É imprescindível cuidar da relação intensidade x volume. Baixa intensidade e poucas vezes na semana pode não produzir nenhuma ou pouca resposta positiva. Em contrapartida alto volume e alta intensidade também pode ser prejudicial e ao invés de produzir células de defesa fortes pode destruí-las. Por isso, um profissional de educação física é importante para modular a intensidade do exercício deixando-o compatível com seu nível de condicionamento físico. A literatura mostra que exercícios de intensidade moderada são os mais indicados para reforçar o sistema imune”, detalhou Tati Godoi.

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