Cultura

Prestigiar ou esquecer: é possível separar autor e obra?

Por Thais Perez |
| Tempo de leitura: 2 min
A escritora JK Rowling
A escritora JK Rowling

J.K. Rowling, Johnny Deep, Will Smith são nomes que estão nos trends topics das últimas semanas. O que eles têm em comum além da fama e prestígio? Alvos de "cancelamento" e "descancelamento", com certeza, mas também exímios representantes de suas artes. Excelentes artistas, sem dúvida alguma, que conquistaram sucesso não pelas suas condutas, mas puramente pela sua arte.
Essas figuras, assim como tantos outros artistas, já entraram na "lista negra" da classe artística, sendo excluídos de novos trabalhos e perdendo o prestígio que antes os mantinha no topo.
Há quem diga que "Harry Potter" precisa cair no esquecimento, os outros, já enfrentam consequências: Johnny Deep foi substituído em "Animais Fantásticos" e Will Smith não poderá participar da cerimônia de entrega do Oscar pelos próximos dez anos.
Contudo, um fato é curioso: mesmo depois de dar um tapa em Chris Rock, Will Smith não teve sua estatueta Oscar de "Melhor Ator" retirada. Seria um sinal de que é possível separar o autor de sua obra?
Para o sociólogo e cineasta Fábio Monteiro, a resposta é que sim. É possível distanciar o artista de sua arte.
"O indivíduo é humano, passível de falhas e desvio de caráter. Sua conduta não necessariamente contamina sua criação", explica o professor.
"A obra por si só não é somente o reflexo de um caráter, mas sim uma construção ligada ao seu tempo histórico, reflete a mentalidade de uma sociedade. Diminuir a obra somente a personalidade de seu autor é ignorar esses elementos", completa Monteiro.


DIVERGÊNCIA.
Para o crítico de cinema Hérick João, relevar os motivos de cancelamento é impossível. Ele acredita que endossar as obras de artistas que tenham tido condutas inadequadas pode reforçar violências, como a de J.K. Rowling. "A partir do momento que você é uma pessoa pública e que tem um certo tipo de influência nas pessoas qualquer tipo de comentário ou declaração deve ser extremamente ponderada", explica ele, referindo-se a autora. "Esse tipo de declaração e comentário pode causar mais intolerância".
Ele também cita o caso do diretor Roman Polanski, diretor de "O Bebê de Rosemary", que foi condenado por abusar de menores de idade. Hérick afirma que, o cancelamento, nesses casos é somente o das vítimas, que passam por anos em silêncio, invisibilizadas.
"Algumas pessoas podem querer justificar por se tratar de um trabalho 'artístico', mas dentro de outras áreas não fazemos o mesmo questionamento. Você não vai querer ir a um médico ou qualquer outro profissional com o mesmo tipo de histórico criminal", finaliza..

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