Ex-presidente nacional do PT, o deputado federal Rui Falcão diz que a pré-campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ir para as ruas em maio, após seu lançamento em São Paulo, ao lado do ex-governador Geraldo Alckmin.
O alvo, segundo Falcão, não é apenas derrotar o presidente Jair Bolsonaro (PL) nas urnas, mas também o bolsonarismo, “que se espraia por um grupo de fanáticos que ele mantém organizado”.
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Reafirmando a inocência de Lula e negando que o PT seja um partido corrupto, Falcão aposta em ampliar as coligações para vencer as eleições e evitar o que chama de “barbárie”. Confira.
Geraldo Alckmin está aprovado como vice na chapa de Lula?
O diretório nacional do PT indicou ao encontro nacional do partido, que vai ser em junho, a candidatura do ex-governador Alckmin como vice na chapa do Lula. Ele está se interando das nossas propostas e fazendo sugestões. A ideia é discutir o programa com ele, as propostas do futuro governo Lula-Alckmin. Tudo indica que o encontro nacional vai respaldar essa indicação do diretório, vai ser quase uma formalidade. A gente quer nesse meio tempo aclarar as coisas, ver quais os compromissos programáticos dele, que tipo de apoio traz para a campanha.
O que vem agora?
Fundamental agora é organizar a campanha, levar propostas muito claras para a população, organizar a disputa e principalmente não trabalhar com a ideia de que pesquisa somente ganha a eleição. É preciso derrotar Bolsonaro, mas mais que tudo derrotar o bolsonarismo também. As políticas de destruição do país, geração do desemprego, perseguir as mulheres, enfim, tem toda uma campanha necessária para que a gente possa ganhar as eleições e ter condições de reconstruir o país.
O senhor era crítico ao Alckmin como vice de Lula. Mudou de ideia?
Nós alertamos para os riscos que isso poderia trazer não pela questão pessoal, mas a exploração política que poderia advir de parte dos adversários confrontando declarações de um e de outro no passado. E também que essa adesão do ex-governador Alckmin à nossa campanha não signifique um rebaixamento do programa, não seja um programa limitado.
No encontro com as centrais sindicais, ele surpreendeu quando abraçou muito das nossas propostas, como a ideia da revogação da reforma trabalhista e assim por diante. Quero crer que, daqui para frente, sinalizado o apoio ao nome dele pela maioria do partido, as coisas vão se assentar e faremos a campanha do Lula com qualquer vice.
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O Alckmin vai aderir à revogação da reforma trabalhista?
O Lula foi um dos primeiros a dizer que quer revogar a reforma trabalhista naquilo que ela tem de ruim, e são muitas coisas, e acolher as formas mais modernas em relação ao mundo do trabalho, como os trabalhadores de aplicativos. Eles precisam ter direitos reconhecidos. Isso inclusive cria a ilusão de que são empresários de si mesmos.
A nossa ideia, e o Lula é a favor disso também, é que tenham todos os direitos, como carteira assinada, com reconhecimento dos trabalhadores formais. Isso já existe em vários países e é importante que ocorra aqui também. E principalmente quebrar as amarras da organização sindical. Não se trata de voltar o imposto sindical, mas dar direito aos trabalhadores de se organizarem livremente nas suas entidades e contribuírem para a manutenção delas.
Como PT está se preparando para enfrentar as fake news?
Primeiro estamos insistindo ainda junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e à Câmara dos Deputados com o projeto que cria uma democratização das redes. E fiscalizar permanentemente como fiz ao protocolar, junto ao corregedor geral do TSE, para que coloque no inquérito administrativo aberto em agosto do ano passado a motociata da sexta-feira santa, que custou R$ 1 milhão aos cofres de São Paulo, que teve financiamento privado, o que é proibido por lei, pois significa abuso de poder econômico, e campanha eleitoral antecipada, violando várias regras criadas pelo TSE. Queremos que seja apurado e Bolsonaro seja punido. Também estamos nos capacitando na nossa comunicação para ativar as redes sociais, com milhares de filiados, para que possam combater as mentiras e a desinformação.
Bolsonaro faz campanha antecipada?
Desde o ano passado, com motociatas, utilizações indevidas da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), seja através dele ou de seus ministros, fazendo propaganda de realizações e mentindo. Só falta pedir voto, o que seria o auge da ilegalidade. Mas ele está fazendo campanha há muito tempo e usando dinheiro público para isso e tendo apoio empresarial, ainda que de forma disfarçada, seja de setores do agronegócio que pagam outdoor em vários estados difamando o Lula.
O que estará em jogo nas eleições?
Fazer uma escolha entre a civilização, que é a reconstrução do país com justiça, emprego e oportunidades, e o país da bárbarie, dos grupos armados, das milícias e da cultura do ódio. O Brasil precisa se recuperar para ser uma economia forte como foi no passado. Caímos do sexto lugar da escala internacional para o 12º. A indústria representa 12% do PIB e já representou 30% há 20 anos. Sem indústria não se cria emprego de qualidade. 50% dos jovens brasileiros manifestam a decisão de deixar o país e 24% não têm escola, emprego e oportunidade.
Como avalia o governo Bolsonaro?
As pesquisas mostram o alto índice de rejeição, principalmente entre as mulheres e os jovens. Ele representa um risco à democracia, à economia nacional e ao nosso futuro. Tão importante quanto derrotá-lo é vencer o bolsonarismo, que se espraia por um grupo de fanáticos que ele mantém organizado com essas declarações, bravatas e ameaças, com a cultura da desinformação. Inclusive, com o movimento antivacina. Ele se recusou a tomar a vacina e é um dos principais responsáveis pelos quase 700 mil mortos que a pandemia abateu no país.
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Lula é ladrão e o PT é o partido mais corrupto da história?
Com relação ao presidente Lula, o 25º processo que intentaram contra ele foi arquivado. Todas as denúncias, e muitas delas forjadas e manipuladas pelo ex-juiz Sérgio Moro e seu assessor Deltan Dallagnol, foram todas desmoralizadas e desmentidas. Com relação à figura dele, as pesquisas mostram um grande favoritismo e dizem que ele foi o melhor presidente que o país já teve.
O Bolsonaro não tem moral para dizer que combate a corrupção. Não só vem desde a cultura da rachadinha, de tomar salário de funcionários, até tráfico de influência do filho mais novo e agora essa coisa ridícula da compra de 35 mil comprimidos de Viagra e milhões gastos com próteses penianas pelas Forças Armadas. A corrupção está entrenhada em seu governo. As maiores iniciativas de combate à corrupção foram criadas durante os nossos governos, desde a lei de acesso à informação, de delação premiada, das organizações criminosas.
Reforçamos a ação do Ministério Público independente. Várias iniciativas que depois se voltaram contra nós, como é o caso das delações premiadas. Uma delas serviu de instrumentos na campanha eleitoral contra Fernandoi Haddad, que foi a denúncia do ex-ministro Antônio Palocci, que depois não foi nem aceita como delação porque totalmente despida de conteúdo e de prova.
Bolsonaro pode ser preso se perder o mandato?
Motivos para ele ser incriminado já têm de sobra, muitas denúncias de que ele se rendeu ao centrão para evitar sofrer o impeachment. Há mais de 100 pedidos contra ele. Mas acho que, ao contrário do que praticou contra Lula e outros, deve ter direito ao devido processo legal, a ter um advogado, ao contraditório e à ampla defesa, e não ser preso arbitrariamente por conta dos crimes que já praticou. Mas ele fez muito para ser incriminado e ser preso. Mas não quero que seja preso de forma ilegal.
As mudanças na lei eleitoral qualificarão o próximo Congresso?
A lei atual que não permite listas partidárias e ainda permite muita influência do poder econômico, ela vai dificultar a eleição de uma bancada progressista mais ampla. Mas acho que vamos crescer bastante e teremos um desempenho melhor do que em 2018, mas fazer a maioria será difícil.
Como estão as coligações do PT?
Temos uma federação com o PCdoB e PV e tem que ser formalizada até 31 de maio. Além disso, devemos ter uma coligação nacional para apoiar o Lula com mais o PSB, o Psol, a Rede, imagino que o Solidariedade, e há tratativas para atrair o MDB e o PSD.
Quando a campanha vai para a rua?
Lula passou um período com tratativas de ampliar seu leque de alianças. Agora chegou a hora de uma campanha mais fora do nosso círculo. Há a previsão para isso e está previsto o lançamento de pré-candidatura no dia 7 de maio, em São Paulo. E Lula deve participar no dia 28 da conferência do PSB e no dia 30 do Psol. E tem que ter agenda nos estados, viagens e contato com a população em geral, mas sempre com a segurança necessária porque os fanáticos do Bolsonaro estão soltos e temos que preservar o Lula.
Segundo turno será entre Lula e Bolsonaro?
Tudo está caminhando para ter uma disputa entre Lula e Bolsonaro. A depender dos trâmites da terceira via, se encolher demais, podemos ter uma decisão em primeiro turno. O planejamento o PT é de uma eleição em dois turnos.